PAÍS
Roberto Carneiro acredita em modelo de avaliação docente mais simples
O ex-ministro da Educação Roberto Carneiro considerou hoje que será possível encontrar um modelo de avaliação docente menos complicado e que o fundamental é que exista avaliação, o que hoje já faz parte da consciência dos professores.
"Penso que esta revogação também tem a ver com as questões de conjuntura, com o recente chumbo ao PEC e a eventual queda do Governo e eleições antecipadas", disse Roberto Carneiro à agência Lusa, reconhecendo que neste momento o ambiente "é muito difícil para um Governo minoritário".
Para o ex-governante, conjunturas à parte, o modelo de avaliação hoje revogado pelo Parlamento, com o apoio de toda a oposição, era "muito contestado" e "muito discutível", sobretudo "pela burocracia que implicava".
O ex-ministro de Cavaco Silva considera ser possível encontrar um modelo de avaliação mais simples, "sem deixar de avaliar os professores". Contudo, reconhece ao atual modelo pelo menos a virtude de chamar a atenção para a necessidade de os professores serem avaliados: "Isso acho que hoje é incontestável. Todos os professores têm de ser avaliados".
Para Roberto Carneiro, o modelo que vigorar "não pode ser ainda mais complexo do que a própria avaliação que se quer fazer".
Para o ex-governante, o princípio a manter é o da avaliação: "Seria grave se não houvesse nenhuma avaliação. Isso é que seria grave. Como se avalia é uma questão técnica, já de pormenor, de modelo".
Roberto Carneiro não vê possibilidade de outro modelo de avaliação de desempenho estar pronto para entrar em vigor no início do próximo ano letivo, como seria desejável, em virtude de o Governo ficar com funções de gestão e se tratar de uma questão estrutural.
"Não tem poderes de facto para negociar um novo modelo. Tempo haveria se o Governo estivesse em plenitude de funções", declarou.
O ex-ministro alertou que não se deve aprovar um modelo a meio do ano letivo, referindo que este foi um dos problemas do acordo alcançado em janeiro de 2010 com os sindicatos.
"Foi aprovado em janeiro para entrar em vigor em setembro seguinte. É mortal para um sistema. Os sistemas têm ciclos, têm de se respeitar ciclos anuais, as coisas inovadoras têm de entrar no início de um ciclo, não podem entrar a meio", afirmou.
A oposição parlamentar aprovou hoje a revogação do atual sistema de avaliação de desempenho dos professores com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e do deputado social-democrata Pacheco Pereira.
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