a casa cresce, entrega-me tua mão
para trazermos o mar a seus cómodos
assim, a mesa
estará continuamente posta
em vez de janelas
rasguei portas voltadas a nascente
assim, o corpo
e a árvore dispersará sua sombra
entre a tua e a minha vida
desconheço a dor
como não sei o nome da árvore
basta este amor por ela
todas as vezes que peço tua mão
pareces o Sol de setembro
esperei, espero, esperarei
como ontem pelos estorninhos
que à causa da mesa posta
são a razão
da ausência de sombra
na árvore sem nome.
IVO MACHADO
Porto, 24 de Outubro de 2020

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