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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

E tudo são recordações - Azores Digital


Era pequeno de estatura e tinha um carro grande
Sábado, 15 de Agosto de 2015 
Funcionários aduaneiros, quantos conheci na minha adolescência-juventude, por exemplo? Foram muitos, alguns dos quais meus primos filhos do meu tio Henrique Silveira (vulgo Henrique “Seguro”). Gente
boa que procurava ser equilibrada profissionalmente falando, inclusive os próprios despachantes que conheci da família Couto (Oldemiro, Orlando e Oscildo),  Guilherme Ramalho que morava na Rua de Cima de Santa Luzia, enfim, pessoas com muita capacidade e cuja honestidade estava sempre patente.
E já que falei de Guilherme, é sobre este antigo aduaneiro, já falecido (aliás, como muitos outros daquele saudoso tempo) que me vou debruçar. O senhor José Guilherme que vinha da Terra Chã num Consul grande. Lembro-me que a malta dizia “ele é pequeno de estatura, mas tem um carro grande”. Pequeno na estatura, mas de alma grande. Era, de fato, uma simpatia de pessoa, sempre sorridente e conversador com as pessoas que circundavam o edifício da Alfândega de Angra do Heroísmo, sito no Pátio de Alfândega, como era conhecido e onde, também, durante muito tempo, funcionou a esplanada do Café Atlântico, sempre cheia, sobretudo no dia de “São Vapor”.
Quando regressei de Angola (no Uíge para Lisboa e da capital para a ilha Terceira no Angra do Heroísmo), no despacho da bagagem apanhei exatamente o senhor José Guilherme, bem ao seu estilo peculiar e sem ondas de rigor alfandegário. Dá para entender. Ele assistiu a um abraço dos meus dois primos Rui e Tibério, que ali se encontravam perto em serviço. Foi então que percebeu que eu tinha regressado de Angola em função do diálogo que mantive com os dois referidos primos. Desde logo, o senhor José Guilherme passou um X (a giz branco na minha enorme mala de madeira) e teve esta linda frase: “que seja muito feliz neste seu regresso à sua e nossa terra”. E também me deu um abraço.
Ora, volvidos alguns anos, faço parte do grupo de amigos da família, por via do Joel Neto que também tem Guilherme no nome. E hoje se fosse vivo, o senhor José Guilherme rejubilaria com o êxito do seu neto, um escritor-jornalista que tem dado muito que falar maior incidência com o seu último livro (ARQUIPÉLAGO) que tem merecido os maiores encómios e cuja procura tem sido enorme de quem gosta de uma boa leitura e quer, também, saber algo sobre este paradisíaco arquipélago açoriano composto por nove ilhas e cujas gentes têm o condão de saber receber, de dar a conhecer a verdadeira alma de um povo ilhéu.

Do senhor José Guilherme, e quando alinhavo este escrito, fica-me na retina aquele sorriso de homem bondoso e a frase que me dirigiu quando retornei à minha terra: “que seja muito feliz neste seu regresso à sua e nossa terra”.  E a minha felicidade passou, posteriormente, com a amizade que sempre recebi da família, nomeadamente por parte do Joel Guilherme Neto, cuja convivência, naturalmente, é muito maior. Só tive pena de não ter tido possibilidades de me deslocar a Poços de Caldas quando ele aqui esteve no Brasil.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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