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sábado, 19 de setembro de 2020

Da Califórnia de Luciano Cardoso - A NOSSA FESTA


                                                                                  

A NOSSA FESTA

(Acordei dum lindo sonho

E não esperava por esta;

Deu-me o prazer medonho

Que em rima aqui ponho.

Sonhei com a nossa festa.)

Tremoço na salgadeira;

Alcatra que sai do lume;

A massa sovada já cheira;

Minha festa tem perfume.

Começa no vinho novo,

Vindimado a capricho.

É a alegria do povo

Doido p’ra matar o bicho.

Se me tens por teu amigo,

E me acenas da rua,

Sabes que conto contigo.

A minha casa é tua.

Cá dentro, e com franqueza,

Garanto-te pela certa,

Tens sempre lugar à mesa.

A porta está aberta.

Sabe tão bem abraçar

Quem nos mima de verdade.

Nada como o brindar

Ao sabor da amizade.

Um sabor especial

Traz saúde, alegria

Ao centro do arraial;

Ao calor da cantoria.

Promete ser animada

C’o Barbeiro da Serreta,

A Turlú mais o Gaitada,

O Vital e o Caneta.

Rimam por amor à arte,

Soltando a sua veia,

Aqui ou em qualquer parte,

Deixam-nos a alma cheia.

Amanhã, na procissão,

Quero levar um andor

Dentro do meu coração

Levarei Nosso Senhor.

Nossa Senhora, de pé,

Não descansa nesse dia.

A festa faz-se com fé

No Coração de Maria.

Vai o foguete p’ró ar,

Alegria quanta queira;

O povo quer festejar

À sua rica maneira.

Na segunda, o programa

Chama toda a Terceira.

É a toirada de fama,

Toiros do José Parreira.

Escolhidos a capricho,

Só atacam quem quiser.

Vai ser povo c’ma bicho.

Arrume-se quem puder.

Saber do toiro fugir

Não é arte complicada

Para quem sabe medir

O perigo da marrada.

Qualquer pessoa prezada

Da nossa linda Terceira

Troca bem a má cornada

Pela boa bebedeira.

O beber bem determina

Se foi toirada d’estoiro.

Não há magia taurina

Se não houver Quinto Toiro.

Por isso, nos toiros do Porto,

Ao sabor da tradição,

Bicho que não é bem morto,

Nem vale meio tostão.

À corda da saudade,

Nesta sextilha honesta,

Agradeço de verdade,

Com a rima que me resta,

Ter ido à mocidade

Rever lá a nossa festa.

(Foi sonho, infelizmente,

Pesadelo, pandemia,

Vieste roubar à gente

Toda esta alegria.

Acordamos, de repente,

Só nos resta nostalgia).

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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