Os Batistas
Batistas conheci muitos ao longo da minha vida, sobretudo
na fase de infância, adolescente e adulto. De adulto, muita gente ligada
ao fenómeno desportivo. E poderei dizer que todos estes Batistas tinham
crista bem afiada, ou seja, dedicados e trabalhadores.
O BATISTA DO PÃO – Aos 11 anos de idade comecei no Corpo Santo a
trabalhar na mercearia do senhor Raminha, na Rua do Cardoso. Todos os
dias, ao final da tarde, ia a casa do Tio Batista para trazer pão
fresquinho para os clientes da mercearia. O Tio Batista morava na Rua
das Maravilhas e lá eu ia de saca de lona nas costas, descendo a Rua da
Rocha, Minhas Terras e depois subindo o calvário da Rua do Morrão.
Trazia sempre quarenta pães, mas acontecia que, com todo aquele
cheirinho de pão quente, chegava à mercearia com trinta e nove, o que
quer dizer que comia um pelo caminho. Óbvio que descontava no meu
pequeno salário, visto que se tratava do primeiro emprego.
O TIO BATISTA DAS BOTAS DE FUTEBOL – Outro Tio Batista, este
infelizmente sem as duas pernas. Morava também na Rua do Cardoso e
descia a rua até à sede do Marítimo com as suas muletas. O Tio Batista
era dedicado roupeiro do Marítimo. Num pequeno cubículo tratava de tudo e
quando lá se entrava deparávamos com aquele cheirete a cebo que ele
passava nas chuteiras, a maioria de travessas. Naquele tempo era assim.
Hoje, são chuteiras de luxo e de várias cores. Naquele tempo, chuteiras
de travessas e muitas delas com os pregos entrando nos pés. Pois é... Do
tempo dos pobres ao tempo dos ricos.
EM LISBOA UM “BATISTA CÁ DA GENTE” - O Batista que faleceu há pouco
tempo, ao invés dos dois primeiros que partiram para o “outro lado da
vida” há muitos anos atrás. Batista que sempre acompanhou as equipas
terceirenses que se deslocavam ao continente. Mais presente com o
Lusitânia de quem foi delegado junto da Federação Portuguesa de Futebol.
Na minha missão jornalística, mantive com o Batista um franca amizade.
Várias deslocações com ele e com o filho quando o acompanhava. Era uma
figura muito querida junto de todos os jogadores, técnicos, dirigentes e
massagistas e, também, junto dos funcionários do ISEF. Todos conheciam o
Batista e, “bebedeiramente falando”, sabiam o que a “casa gastava”.
Óbvio a “casa Batista”. Era um animador nos bons e maus momentos.
Faleceu de doença incurável.
PADRE BATISTA, PADRE DA BOLA - Quando pároco da Vila Nova, o padre
Batista foi um dedicado adepto do Vilanovense. Dirigia a falange de
apoio alvi-negra com muito entusiasmo. Ainda hoje não sabemos se o padre
Batista deixou de casar alguém pelo fato de estar num jogo de futebol. O
que é certo é que o padre Batista é sempre recordado junto dos
apaniguados do Vilanovense. E creio que ele não deixa de acompanhar o
que se passa em torno do clube em que foi figura marcante. O verdadeiro
cérebro dos apoiantes do Vilanovense. E era vê-lo sempre de cachecol e
bandeira com as cores do seu Vilanovense.
BATISTA QUE FOI PRESIDENTE – Abílio Tavares Batista, o homem da
“terra prometida”, a Ribeira Grande da ilha de São Miguel. Um
desportista de reconhecido gabarito. Jogador, treinador, dirigente e
inclusivamente colaborador em páginas desportivas dos jornais diários,
nomeadamente os de São Miguel. Como presidente da Associação de Futebol
de Ponta Delgada, levou a “Carta a Garcia” com aquela capacidade que é
seu timbre, aliada a uma honestidade digna dos maiores encómios
Hoje, o Batista, o Abílio, aposentado, dedica-se à sua rádio, a Rádio
Cidade da Ribeira Grande. E aborda temas com muita propriedade. Já o
acompanhamos via internet. Um abração, meu querido amigo Abílio Tavares
Batista.

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