FERNANDO
FAUSTO CRISTOVAM (Amigo, antigo atleta e companheiro na Rádio Horizonte-Açores)
Vou tentar contar um pedaço de minha vida, em que a personagem CAA entra no meu
caminho.
Conheci o CAA por morarmos numa cidade pequena, toda a gente duma maneira ou
d’outra se conheciam, ou conhecia-se alguém de quem se era próximo d’outro.
Por outro lado, desde cedo gostei de desporto, em especial o futebol. O CAA era
o jornalista de referência para as leituras da segunda feira, no jornal os
comentários e entrevistas aos ídolos do nosso tempo, tinham quase sempre no CAA
o eco do fim de semana desportivo nos campos de futebol da Ilha e não só.
O tempo passou, e dou comigo a jogar futebol nos juvenis do Lusitânia e como
‘’Mister’’ encontro o CAA. Foi uma época marcante, foi uma época com muitos e
bons jogadores, não lhe era difícil organizar a equipa, difícil era saber onde
esta malta se metia nas vésperas de jogos com bailes aqui e alí. Entrar em
campo, só por opção táctica ou lesão ou por cansaço de outro atleta. Muitas
peripécias se passou nessa época, mas recordo hoje com carinho nas vitórias
(eram quase todos os domingos) o CAA tinha sempre um prémio para oferecer aos
atletas, ora em sua própria casa, um vasto comes e bebes (suminho) ou bilhetes
para o cinema ao tempo existiam as matinés. Aquilo era um mimo pequenino, mas
tinha um efeito muito grande em nós. Afinal o Mister exigente nos treinos e nos
jogos, depois destes, era um amigo mais velho que tinha ao seu jeito um grupo
de rapazes voluntariosos a bater-se pelas vitórias. Pequenas coisas que nos
unia, que ainda hoje recordamos.
Depois,
muitos seguiram a via do desporto sénior, mas eu arrumei cedo as chuteiras nas
andanças federativas, e não mais voltei a encontrar CAA como Mister.
Até que, os nossos caminhos se cruzam, mas por via da Rádio. Para além de ser
da Sociedade Proprietária da Rádio Horizonte, além doutras tarefas era também
operador de som, e tive o grato prazer de trabalhar em estúdio e em exteriores
com o CAA. Nada com ele era ao acaso, sempre com tudo organizado, tudo
esquematizado, tudo escrito como um guião ao pormenor.
Embora
o CAA esteja na Comunicação Social mais virado para as coisas do Desporto, o
CAA é um jornalista de mão cheia, querendo, versa outras áreas da vida social,
sem problema nenhum. Basta vermos os seus escritos sobre temas que da sua
memória fluem e de que maneira. É um escriba inteiro.
Quem conhece o CAA, sabe que é um bom conversador, é bem disposto, nervoso pela
busca da perfeição, no assumir de responsabilidades, mas que a mostarda não lhe
chegue ao nariz…aí, é melhor pedirem substituição, ele é reto no trato mas duro
de atitude. Como se costuma dizer, não leva desaforo para casa.
Claro, como acontece com todos, os diretos na rádio são lixados, ali depois de
ser dito, não se pode apagar e emendar, ou voltar atrás e recomeçar, saiu…já
era. O CAA era comedido de ir aos directos no exterior, preferia as entrevistas
de estúdio, aí sentia-se mais à vontade, mas em especial nos rallies tínhamos
quase todos os disponíveis na rua, ora nos tempos das classificativas, ora nas
entrevistas, secretariado, enfim, era no tempo da rádio em direto, feito com
gente dentro e fora dos estúdios, valia tudo que fosse noticia ou informação na
hora. Numa dessas ocasiões o CAA teve a incumbência de entrevistar os
concorrentes, à chegada ao Parque fechado no final do Rali, no parque de
estacionamento junto à Praça de Toiros. Os concorrentes na medida que faziam o
controlo e paravam a viatura logo fazíamos por os encaminhar até ao CAA, para a
entrevista da ordem, e balanço geral do Ralie, e é durante uma dessas
entrevistas, que acontece a cena mais engraçada que conheço do CAA .
Que ele me perdoe, mas vou contar por ser a única coisa que lhe conheço de ter
sido uma coincidência não um erro ou falha dele ou falta de organização dele.
Tão concentrado ficava para as perguntas, etc.
Convêm perceber que no tempo, não tínhamos telemóveis nem Net com Skype, etc,
era com rádios militares ou no caso um CB (Banda do Cidadão) ligado com uma
bateria de automóvel, e antena, etc. Portanto não era lá muito móvel, pelo que
optamos por ficar em zona intermédia das chegadas e o menos barulho possível
dos motores. Como escuta usávamos uns transístores com auscultadores. Numa das
entrevistas logo das primeiras, o CAA começa a entrevista e recebemos pelo
retorno a voz do locutor de serviço em estúdio, dando indicação para baixar, (o
som, entendi eu por ser esse o procedimento normal), eu era o operador, e
baixei o som, mas não o suficiente, e oiço de novo no retorno, (baixa mais)
nessa altura dou com o CAA, a baixar-se e a levar junto o seu entrevistado,
começo a rir do que estava acontecer, a entrevista a decorrer, e de novo (baixa
mais) e CAA, baixa-se mais. Eu não podia explicar na altura, tive que esperar
que terminasse a entrevista, e depois explicar então que baixar era o som não
para ele se baixar. Bem a risota aumentou porque os outros viam-me rir mas não
tinham escuta não sabiam o que se estava a passar, quando então disse o que
era…quem não gostou, por pensar que era gozo, foi o CAA.
Por pouco ficava sem repórter. Até hoje, foi a única ‘’aponte’’, não à
competência, mas à coincidência.
Desculpa amigo, mas em tempo de aniversário, mesmo que de Jornalismo, o que não
queremos são tristezas, esta é minha contribuição nas tuas comemorações, uma
coisinha para rirmos todos de ‘’lembranças’’…
Muitos parabéns Carlos, e que Deus te continue a dar-te saúde, e que a memória
não te falte, para usufruirmos do dom da escrita que nos brindas, e com prazer
lemos.
Abraço, e parabéns.
INTÉ

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