Do meu grande amigo Rui Almeida, profissional da comunicação de elevada qualidade)

Escrevo este texto em Joanesburgo. Poderia escrevê-lo em Lisboa, Londres,
Nova Iorque, Macau ou Rio de Janeiro. Também o poderia escrever nos Açores, nos
"nossos" Açores, que conheci há 44 anos e pelos quais me apaixonei.
Onde quer que o alinhavasse, poderia ter a meu lado quem, na sua vida,
correu
mundo, e se apaixonou. Pela vida, pelas pessoas, pela profissão. Mas,
sobretudo, pela escrita: aquela escrita escorreita e fluente, correta e
influente que só os mestres atingem e de cujas penas saem palavras soltas e
ideias soalheiras. Essa escrita, "a dos antigos" - dizem os mais
novos - continua a valer mais que todas as distâncias, que todos os teclados, que
todas as tecnologias. "Escreve bem", sempre me disseram os meus
Mestres. Quem bem escreve melhor se adapta. 50 anos depois, a escrita, meu caro
Carlos, continua a ser a tua paixão, como os Açores, 44 anos depois, continuam
a ser a minha. E ligam-se. E liga-se tudo, como se o redondo do mundo tornasse
redonda a vontade de estar juntos. Escrevo este texto em Joanesburgo. Podia
escrevê-lo no fim do mundo. Porque 50 anos, afinal, se resumem a uma vida de
paixão. E a paixão, para lá de eterna, é universal. Para um "mestre"
da escrita a paixão apaixona. E é enamorado pela pena leve, escorreita e
rigorosa que te envio, seja de que parte do mundo for, o mais forte e fraterno
dos abraços.

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