CARLOS
AVILA DE BORBA (Amigo, leitor, residente na Alemanha. Técnico de atletas de
Alta Competição)

Nos meus tempos de rapazola passando os olhos pelo jornal,
lembro-me que nas notícias da bola; jogada por cá ou por lá,
escrevia sempre um fulano tal a quem chamavam de C.A.
Angra na altura era bonita e aprumada, cheia de vida. Clubes como o Lusitânia,
Angrense e o Marítimo, movimentavam as modalidades e as brincadeiras de rua eram a ligação direta ao desporto, e às rivalidades.
Fiz de tudo um pouco, e ainda hoje como profissional do desporto por este mundo, recordo com grande agrado algumas das pessoas que fizeram parte dessa minha juventude e formação desportiva na Ilha Terceira: o Sr. Luís Bretão e o pessoal da Delegação dos Desportos, o Sr. João Botelho e a Ginástica do Colégio de Santa Clara, o basquetebol no Lusitânia e as jogatanas contra os americanos da base da Lajes com o Sr. Frias, e o Professor Eduardo Monteiro pelo dinamismo criado nos Açores enquanto Diretor Regional do Desportos.
O Carlos Alberto Alves; C.A. para os entendidos, esquivando-se às rivalidades clubistas viveu o desporto como nenhum outro, acabando mesmo por desempenhar as mais variadas funções nos grandes e pequenos clubes dos Arquipélago dos Açores.
Com uma palavra amiga e um concelho bem dado, o C.A. era um homem presente no nosso desporto, mas foi a sua carreira jornalística que nos manteve ligados até aos dias de hoje.
No jornal ou na rádio, pelos Açores e além fronteiras, o Carlos Alberto Alves, fez reportagens de mérito, honestas, e com um sentido de humor apurado, por vezes a tanger o atrevimento. Não me lembrasse eu de Nova Iorque e da minha primeira maratona na companhia do João Valadão e do Jorge Monjardino, onde o Carlos para além de escrever dois mil caracteres antes da prova começar ainda animava a festa, e das duas reportagens que fez em direto da Alemanha (Meeting de Atletismo de Immenstadt 1996 e 1997) para o Diário Insular, uma delas a acompanhar a nossa atleta convidada, a campeã olímpica Rosa Mota, onde para além dos factos assentava sempre a sua graça.
Tal como eu, o Carlos Alberto Alves não se ficou pelos Açores, e talvez por isso não haja distância na nossa amizade. Falamos de vez em quando, mas muito, via Skype, ele do Brasil e eu de qualquer lado.
50 anos a escrever é muita tinta, e não sei se haverá jornais da Terra para cima, mas se houver, e talvez um dia, não faltarão reportagens desportivas e histórias do passado escritas à la minute.
Parabéns pelos 50!
Haja tinta.
Da Alemanha com um abraço amigo,
Carlos Ávila de Borba

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