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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Recordando Azores Digital e jornal A União



DE AZORES DIGITAL - DE JOÃO PESSOA  PARA O BURUNDI
MEU TENENTE-CORONEL ME DÁ LICENÇA?
 
Sempre tenho um carinho muito especial por todos os meus amigos e conterrâneos que dignificam, de forma brilhante, o nome da nossa terra, da nossa região açoriana, em suma do nosso país, visto que somos portugueses como todos os outros metropolitanos e não só.

Ora, hoje debruço-me sobre o Tenente-Coronel Jorge Silveira que, quando ainda muito jovem, foi meu vizinho na Rua de Oliveira. Ali morávamos. Naquela pequena ala da rua, de quem descia após passar a esquina onde funcionava a mercearia do senhor Fernando, a minha família, por baixo o José da Conceição (“o chicharro”), ao lado a família do Jorge Silveira, por baixo o José Maria do Ó (tragicamente falecido no Ultramar) e, por fim, a família do mestre Carlos Reis, pai do Carlos Alberto Reis, do Gil  e do Valter (que também teve uma morte estúpida).
O Jorge Silveira acabaria por ser meu jogador no Lusitânia, quando assumi o cargo de treinador-adjunto do Mário Nunes. O Jorge e o irmão sempre bons amigos, aliás, comop a restante família desde o avós aos pais. Recordo que, em A União, escrevi um artigo sobre o professor Armindo Silveira, pai do Jorge.
Nestas andanças  do facebook, tive o privilégio de reencontrar o Jorge Silveira. E recuando um pouco no tempo, na minha última viagem ao New York onde fiz cobertura da Maratona, de Lisboa para a Terceira tive o Jorge Silveira  como companheiro. Ele na ala direita do avião e eu na esquerda. Trocamos impressões e, inclusivamente, passei-lhe umas fotos que tinha trazido para publicação no jornal Diário Insular.
Mais tarde, quando visitei a Terceira estive com o seu irmão que me informou da presença do Jorge nas Nações Unidas, representando Portugal naquele importante órgão de soberania.
O Jorge Silveira deixou o serviço ativo no exército e passou à situação de Reserva em 2011 com a patente de Tenente-Coronel, após ter envergado a farda do exército português num período de 30 anos (1981-2011), tendo desempenhado as missões e responsabilidades atribuídas dentro do melhor, o que podia e sabia. Resolvei passar à Reserva basicamente por dois motivos:
1.     – Questões de ordem familiares, uma vez que a esposa é americana e assim pretendia estar os livre para repartir o seu tempo entre os Estados Unidos e Portugal.
2.     – Profissionalmente o congelamento que se verificou nas carreiras e desiludido com  a direção que o exército que servia estava a tomar face às restrições impostas pelos decisores políticos.
3.     ELE DIXIT:
Durante os 30 anos em que tive a honra e o privilégio de servir o meu (nosso) país e as nossas gentes tive a oportunidade de servir nas nossas guarnições internas incluíndo vários anos no nosso "17" onde terminei sendo Segundo Comandante, mas também no exterior incluído duas comissões em Timor-Leste com a ONU e uma no Kosovo com a NATO; tive ainda a fortuna de trabalhar no Quartel General da ONU em Nova Iorque durante três anos (2008-2011) com o Departamento de Operações de Manutenção de Paz (DPKO).
Após 2011, já como civil e na situação de reserva, continuei ligado á ONU, onde voltei a trabalhar por algum tempo em NY de novo no DPKO, ligado às missões que decorrem no Congo (RDC) e na República Centro Africana. Presentemente encontro-me desde o início de 2015 com a missão da ONU no Burundi (MENUB). Esta é uma missão onde a ONU não tem tropas, apenas pessoal civil. Eu sou o Oficial Regional de Segurança, responsável pela segurança do pessoal, instalações e bens da ONU na região centro do país, que engloba cinco províncias. Infelizmente as coisas não vão bem neste pequeno país africano, após umas conturbadas e questionáveis eleições. Ataques com armas de fogo e com granadas tem-se tornado rotina. Enfim, África no se melhor.
Desculpa caro amigo esta missiva longa. Mas assim ficas com uma visão mais completa da minha actual situação.
Mais te poderia dizer sobre o que tenho feito, mas deixarei isso para quando estiver efectivamente na situação de reforma o que acontecerá em Julho de 2016; por agora e estando ainda na reserva tenho de usar de alguma contenção.
Forte abraço e dispõe sempre.
Recordando o jornal A União - Arlindo Nascimento – melhor ao piano ou no órgão?


Velho companheiro da equipa de reservas do Marítimo, “rivais” por um lugar na titularidade com a camisa-10, Arlindo Nascimento foi sempre um companheiro de contar. Com ele convivi algumas vezes na sua casa no Caminho Novo nos ensaios do Conjunto Insular, levado pelo nosso comum amigo José Mendonça, pródigo em colocar alcunhas e, daí, o Arlindo não fugir a esse estigma. Por na altura ser demasiado magro, primeiro ficou por “roupa pró cabide” e depois por “fininho”. E quem entrava muito nessa de “roupa pró cabide” era eu e o Amílcar Costa, irmão do Fernando Maciel. E quando nos encontrávamos, sobretudo na Rua da Sé, a frase saia espontaneamente: “é roupa pró cabide”. Saudades desse tempo? E quem não tem, atendendo a que hoje não existe muito esse espírito.
Arlindo Nascimento sempre teve uma fascinação pela música, tocando piano e órgão. Fez parte, entre outros, dos Conjuntos Açor e Insular. Depois, entrou nos quadros da Rádio Televisão Portuguesa sem, contudo, perder esse tal fascínio pela música. Recordo que, num belo dia, na cidade da Horta, entrei na Estalagem Santa Cruz (para tomar um café antes de partir para o treino do Sporting, onde fui campeão como treinador) e ouço uma música de Marini Marini a ser tocada no órgão que lá se encontrava no bar. A minha imediata reacção foi esta: “macacos me niquem se este toque não é do Arlindo Nascimento?”. Nem mais. Lá estava ele sentado dedilhando, com mestria, no órgão. Depois, seguiram-se mais algumas músicas do conhecido conjunto italiano, que ele muito apreciava.
Já aqui no Brasil, soube que o Arlindo Nascimento havia gravado um CD por influência do filho, o que considerei importante, porque recordar é viver. E músicas daquelas épocas de 60-70 são sempre apetecidas. O tempo não as apaga da nossa memória.
Quando em Dezembro/Janeiro estive na Terceira, perguntei ao filho (que conheço por Laranjeira) pelo pai, mas, infelizmente, a notícia que me deu não foi muito agradável: “meu pai está internado no Hospital de Angra”. De facto, gostaria de ter recebido uma mensagem mais agradável, mas a vida tem destas coisas.
Ó “fininho” espero que tenhas ultrapassado esse problema de doença. Venha daí o Marini Marini sem... “roupa pró cabide”. Entre piano e órgão, gosto mais de te ouvir no órgão, quiçá por ser um dos meus instrumentos preferidos.








Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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