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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Recordando Azores Digital e Jornal A União



Uma crise que estava camuflada



Quando veio à tona a crise em que a Europa mergulhou (e apenas para falar da Europa), falou-se muito no Brasil sobre os efeitos que a mesma provocou, nomeadamente nos países de menores recursos económicos. Nessa altura, os governantes brasileiros ufanavam-se de uma estabilidade sócioeconómica. E muitos foram os brasileiros que esfregaram as mãos de contentamento, levados por essa onda de euforia que foi preparada por Dilma e o seu comparsa Luís Inácio Lula da Silva. Talvez por isso, Dilma Rousseff logrou a sua reeleição perante um eleitorado que, como se diz na gíria popular, acreditava no “Papai Noel”.

Com o decorrer do tempo, que foi curto em relação à reeleição de Dilma, o descontentamento foi a tónica dominante com várias manifestações por todo o país. Manifestações que visavam, sobretudo, Dilma Roussef e Lula da Silva, situação que já era previsível. Muitas promessas na campanha eleitoral e depois foi o que se viu, melhor dizendo o que se tem visto. E não causou surpresa de espécie alguma o fato de Dilma Rousseff, numa viragem repentina e de forma surpreendente, ter anunciado várias medidas de austeridade, passando inclusivamente por diminuir o número de secretários e por aí fora. Dilma, face ao exposto, sentiu que o povo já estava com o “saco cheio” e que, pelo que foi dado a conhecer, pretende vê-la fora da presidência. Dilma e Lula da Silva têm sido os grandes visados. A crise estava camuflada, mas a máscaras de ambos acabaram por cair. Quer isto dizer que o Brasil está atravessando uma crise que se vem agudizando. As medidas agora tomadas por Dilma Rousseff assim o demonstra. E o como diz o velho ditado nem que tudo o que luz é ouro.

 Do jornal A União - O António do Tonys Bar


 Ao longo do meu tempo de treinador das camadas jovens, e para me situar apenas na Terceira, já que tive nesse sentido actividade nas ilhas do Pico e do Faial, conheci um ror de jovens de diferentes situações sociais, mas, de todos eles, guardo sempre uma boa recordação, porque naquele tempo não dispunhamos das melhores condições, desde equipamentos a locais para os respectivos adestramentos. Quantas vezes se improvisou, com alternativas entre o Campo do Seminário, Lawn Tennis Clube, inclusive, o Rink de Patinagem e ainda o “Campo dos Soldados”, como era conhecido. Isto porque apenas existia o Municipal de Angra para os três clubes citadinos. E, neste caso, pensava-se muito mais nos seniores do que propriamente na formação. Hoje é totalmente diferente, não só pela mentalidade das pessoas que dirigem - o Angrense é o principal paradigma -, como também pelo facto de existirem muitos mais campos, a tal “febre” dos sintéticos.
Levaria um ano inteiro a falar desses jovens que comigo trabalharam, mas isso não é possível e, jornalisticamente falando, creio que não tinha cabimento. Porém, seguindo um anúncio que vi no facebook, achei interessante trazer à estampa – já falei anteriormente do maestro Tibério Vargas – a figura do António, do Tonys Bar. António que passou pelos juvenis do Lusitânia, actuando como ponta esquerda – usando a expressão à moda antiga – e que, depois, entendeu que o futebol não dava futuro. E pensou muito bem. Conheci o António como “garçom” (termo usado no Brasil em relação a empregados de mesa) em alguns restaurantes do burgo angrense, sempre afável, sempre atencioso para com a clientela. De seguida, numa atitude que se aplaude, enveredou ele próprio pela condição de empresário, deixando de ser empregado para passar a patrão, mas aqui, curiosa e louvavelmente, mantendo a mesma postura do ser humano que sempre foi: honesto, cumpridor e respeitador. Acrescentaria que, como jogador, não me lembro de ver o nosso António descontente ou com indícios de insolência para com o treinador, colegas ou dirigentes. Um exemplo a seguir e que muito lhe serviu para a sua vida profissional, aquela que, de facto, se coaduna com o seu estilo, ou seja, escolheu a profissão acertada.
Prometo que, na próxima vez (não sei quando) que for à Terceira, assinarei o ponto no Tonys Bar.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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