Uma crise que estava camuflada

Quando veio à tona a crise em que a Europa mergulhou (e apenas para falar da Europa), falou-se muito no Brasil sobre os efeitos que a mesma provocou, nomeadamente nos países de menores recursos económicos. Nessa altura, os governantes brasileiros ufanavam-se de uma estabilidade sócioeconómica. E muitos foram os brasileiros que esfregaram as mãos de contentamento, levados por essa onda de euforia que foi preparada por Dilma e o seu comparsa Luís Inácio Lula da Silva. Talvez por isso, Dilma Rousseff logrou a sua reeleição perante um eleitorado que, como se diz na gíria popular, acreditava no “Papai Noel”.
Com o decorrer do tempo, que foi curto em relação à reeleição de
Dilma, o descontentamento foi a tónica dominante com várias manifestações por
todo o país. Manifestações que visavam, sobretudo, Dilma Roussef e Lula da
Silva, situação que já era previsível. Muitas promessas na campanha eleitoral e
depois foi o que se viu, melhor dizendo o que se tem visto. E não causou
surpresa de espécie alguma o fato de Dilma Rousseff, numa viragem repentina e
de forma surpreendente, ter anunciado várias medidas de austeridade, passando
inclusivamente por diminuir o número de secretários e por aí fora. Dilma, face
ao exposto, sentiu que o povo já estava com o “saco cheio” e que, pelo que foi
dado a conhecer, pretende vê-la fora da presidência. Dilma e Lula da Silva têm
sido os grandes visados. A crise estava camuflada, mas a máscaras de ambos
acabaram por cair. Quer isto dizer que o Brasil está atravessando uma crise que
se vem agudizando. As medidas agora tomadas por Dilma Rousseff assim o
demonstra. E o como diz o velho ditado nem que tudo o que luz é ouro.
Do
jornal A União - O António do Tonys Bar
Ao longo do meu tempo
de treinador das camadas jovens, e para me situar apenas na Terceira, já que
tive nesse sentido actividade nas ilhas do Pico e do Faial, conheci um ror de
jovens de diferentes situações sociais, mas, de todos eles, guardo sempre uma
boa recordação, porque naquele tempo não dispunhamos das melhores condições,
desde equipamentos a locais para os respectivos adestramentos. Quantas vezes se
improvisou, com alternativas entre o Campo do Seminário, Lawn Tennis Clube,
inclusive, o Rink de Patinagem e ainda o “Campo dos Soldados”, como era
conhecido. Isto porque apenas existia o Municipal de Angra para os três clubes
citadinos. E, neste caso, pensava-se muito mais nos seniores do que
propriamente na formação. Hoje é totalmente diferente, não só pela mentalidade
das pessoas que dirigem - o Angrense é o principal paradigma -, como também
pelo facto de existirem muitos mais campos, a tal “febre” dos sintéticos.
Levaria um ano inteiro a falar desses jovens que comigo trabalharam, mas isso
não é possível e, jornalisticamente falando, creio que não tinha cabimento.
Porém, seguindo um anúncio que vi no facebook, achei interessante trazer à
estampa – já falei anteriormente do maestro Tibério Vargas – a figura do
António, do Tonys Bar. António que passou pelos juvenis do Lusitânia, actuando
como ponta esquerda – usando a expressão à moda antiga – e que, depois,
entendeu que o futebol não dava futuro. E pensou muito bem. Conheci o António
como “garçom” (termo usado no Brasil em relação a empregados de mesa) em alguns
restaurantes do burgo angrense, sempre afável, sempre atencioso para com a
clientela. De seguida, numa atitude que se aplaude, enveredou ele próprio pela
condição de empresário, deixando de ser empregado para passar a patrão, mas
aqui, curiosa e louvavelmente, mantendo a mesma postura do ser humano que
sempre foi: honesto, cumpridor e respeitador. Acrescentaria que, como jogador,
não me lembro de ver o nosso António descontente ou com indícios de insolência
para com o treinador, colegas ou dirigentes. Um exemplo a seguir e que muito
lhe serviu para a sua vida profissional, aquela que, de facto, se coaduna com o
seu estilo, ou seja, escolheu a profissão acertada.
Prometo que, na próxima vez (não sei quando) que for à Terceira, assinarei o
ponto no Tonys Bar.

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