Quando ele foi o homem forte do futebol do Angrense - Adalberto Pinheiro


Pelos clubes da ilha Terceira, nomeadamente os de Angra do Heroísmo,
os que melhor conheço, passaram dirigentes de eleição, denominados por “homens
fortes”, isto tem a ver com carisma, dedicação e, sobretudo, grande capacidade
para lidar com futebolistas. Hoje, por exemplo, como um desses expoentes,
apontamos Vítor Galvão no Praiense, não esquecendo que, no Angrense, está uma
nova geração que se revela sobremaneira importante nesse referido desempenho.
Recuando no tempo, e conforme já era nosso desejo, um desses paradigmas
chama-se Adalberto Pinheiro Bettencourt, desde há muitos anos radicado em
Toronto, Canadá, mas nem por isso deixou de acompanhar de perto o afã que
outros dirigentes foram desenvolvendo no “seu” Angrense, inclusive esta nova
fornada a que nos referimos no parágrafo anterior.
Adalberto Pinheiro, pela sua postura, pelo seu carácter, e fundamentalmente
pelos seus vastos conhecimentos, transformou-se num agente desportivo
respeitado por tudo e por todos, à semelhança do que, posteriormente, se
constatou no Lusitânia em relação a Fernando Pacheco Pereira. Creio que esta
minha asserção pode ser corroborada por outras pessoas que estiveram ao
lado de Adalberto Pinheiro, inclusive alguns ex-atletas ainda no rol dos vivos,
o mais conhecido e ainda badalado, Jorge Laureano.
Quando o Angrense digressionou pelo Canadá, Adalberto Pinheiro, também ele uma
enorme referência do Sport Club Angrense Of Toronto, esteve sempre presente. Em
1977 acompanhei o clube ao Canadá e Estados Unidos e, em Toronto, recebi de
Adalberto Pinheiro o maior carinho e estima, eu que, nessa ocasião,
“orgulhosamente só”, preparei um jornal do Angrense com vinte páginas (composto
e impresso nas oficinas da União Gráfica Angrense, ainda sob o olhar atento e
competente do Mestre Manuel Faria, acompanhado por Elvino Lourenço, Francisco
Silva e Liberal Maciel), jornal esse que foi distribuído nos clubes adversários
e, também, junto de sócios, adeptos e simpatizantes do popular grémio da Rua de
São João, cidadãos que, tal como Adalberto Pinheiro, emigraram para o Canadá e
Estados Unidos.
Através do seu sobrinho, Fernando Bettencourt, assíduo frequentador do
facebook, tenho sabido notícias de Adalberto Pinheiro que, naturalmente, foi
mais um que no Canadá rejubilou com o desiderato do Angrense, face à conquista
da Série Açores e a consequente subida ao segundo escalão do futebol nacional,
o que aconteceu pela primeira vez.
Não
será exagero da nossa parte considerarmos Adalberto Pinheiro Bettencourt como
um dos melhores dirigentes que passou pelo futebol terceirense, atrevendo-me
mesmo a colocá-lo à escala açoriana.

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