Quando o capitão Fernando Lopes foi "armadilhado"

Hoje Coronel na reforma, o capitão Fernando Lopes, isto para recuarmos no tempo com a patente com que ficou mais conhecido (apesar de ter vindo para a Terceira como tenente da FAP), deu um excelente contributo ao futebol terceirense, servindo, para o efeito, o União Desportiva Praiense, Sport Praiense
e Sport Clube Angrense. Mais tarde, quando regressou a Lisboa, foi delegado da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo junto da Federação Portuguesa de Futebol e, também, esteve ligado ao futebol de cinco, hoje denominado por futsal.
Pessoa de fácil relacionamento, Fernando Coelho Lopes deixou saudades entre nós todos. Curiosamente, a última vez que estivemos juntos aconteceu por ocasião da minha ida a Lisboa para participar no casamento do Joel Neto. Lá nos encontramos no Hotel Roma onde fiquei instalado. Por estar demasiado anafado, contou-me que, para calçar as meias, teve que comprar um aparelho em virtude das suas dificuldades para se dobrar até aos pés. Mas, também, por ocasião das comemorações dos 75 anos da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, Fernando Lopes voltou a conviver connosco. Recorde-se que, nessa altura, a AFAH, presidida por Jorge Eduardo Silva (cometeu alguns erros, é certo, mas saiu de cabeça erguida), elaborou um programa merecedor dos maiores encómios, trazendo até à Terceira figuras gradas do futebol nacional, citando, nomeadamente o mítico Artur Agostinho (falecido recentemente), Manuel da Luz Afonso, Dr. David Sequerra, Aurélio Márcio e um grupo de cotados jornalistas, entre eles o Ribeiro Cristovam, não esquecendo o presidente do CNID (Clube Nacional da Imprensa Desportiva).
Cheguei a ser adjunto de Fernando Lopes no Angrense e acompanhei-o em 1977 quando o clube se deslocou aos Estados Unidos e Canadá e cuja delegação foi chefiada por José Guilherme Bendito. No Canadá, fiquei instalado em casa do Henrique Moniz, por insistência do próprio, mas, nos Estados Unidos, em Lowell, eu, conjuntamente com o Fernando Lopes e o filho, acabamos por ficar os três no “hotel” (entenda-se por casa) do Henrique Trulú. Nessa digressão, sempre presente o já saudoso José Agostinho da Costa Alves.
E é exactamente sobre o filho que trazemos à estampa, em parte, o teor deste artigo. Na verdade, viemos a descobrir que o Luís Felipe veio acompanhar o pai para o não deixar “à solta”. Mas sempre deu para, uma vez por outra, dar um salto até à Yang, a última das quais na companhia desse outro grande amigo chamado Felipe Rendeiro que, anos volvidos, apesar de já se encontrar bastante doente, procurou a delegação dos veteranos do Lusitânia aquando da sua última deslocação ao Canadá, deslocação essa que fiz cobertura para o DI. E o que mais me impressionou (e doeu a alma) foi quando o Felipe Rendeiro me perguntou: quem és tu?
Retornando ao filho do Fernando Lopes, acabamos por apelidar o jovem de “armadilha”. Creio que a ideia partiu do Faustino. E, posteriormente, por brincadeira, sempre falávamos do “armadilha”. Só não sei se ele contou à mãe o alcunha que alguns “malandros” o colocaram.
Como o mundo é pequeno (sempre digo isso), viemos a reencontrar Luís Felipe Lopes no Pico por ocasião da Corrida dos Reis, em que participei num colóquio com o Manuel José (treinador) e o comentarista da Antena 1, Rui Almeida. Foi o próprio Luís Lopes que, ao ter conhecimento da minha presença no local da corrida (lugar destinado aos OCS), veio ao meu encontro e quando se identificou a minha resposta foi logo esta: olha o “armadilha”. A esposa, que o acompanhava, desatou a rir. É verdade: como o tempo passou célere e, neste reencontro, o Luís Felipe já casado.
Do Azores Digital - Fernando Pavão - o novo fotógrafo
Há muitos e muitos anos quando eu andava num namorico na Rua do Paução em Santa Luzia, conheci a família do Fernando Pavão. O Fernando estava, creio eu, em frente à casa dos pais com os seus padrinhos, gente também muito boa. Pelo tempo fora, fui acompanhando o crescimento do Fernando Pavão como desportista, nomeadamente praticante de futebol e basquetebol e, posteriormente, técnico do bola ao cesto onde realizou um trabalho notável.
Já aqui uma vez escrevi umas linhas sobre amigos que se dedicaram à arte de fotografar, João Frederico Pinto Correia Câmara e José Henrique Gonçalves, que, verdade se diga, estão mantendo essa prática com muita qualidade. E de fotógrafos continuando a falar, para mim uma grata surpresa o aparecimento do Fernando Pavão, aposentado bancário e verdadeiro entusiasta pela tauromaquia. E não acredito que, nas touradas à corda, também já não tenha sofrido uma colhida do “quinto touro”, quiçá na companhia de outro grande entusiasta pelos touros, o José Henrique Pimpão, que tem trazido à estampa no DI excelentes comentários e consequentemente uma útil divulgação dirigida aos amantes da festa brava. O Fernando esse fá-lo agora através da fotografia, ele que, nesse sentido, está ligado à ganaderia de Rego Botelho, dos herdeiros do saudoso amigo Gaspar Baldaia, com quem, amiudadamente, tive o privilégio de cavaquear na Tabacaria Estrela, do não menos saudoso amigo Guilherme Carvalhal do Canto Brum. Falava-se de touros e, inevitavelmente, do seu Lusitânia. De touros, eu só escutava os verdadeiros entendidos.
O Fernando Pavão segue um trilho que só está ao alcance de quem tem essa sensibilidade. E lembro-me de alguns fotógrafos profissionais que deixaram marcas no burgo angrense com toda essa referida sensibilidade e um profissionalismo digno dos maiores encómios.
Ao Fernando Pavão, meu velho amigo, formulo votos de uma longa continuidade na arte de fotografar, creio que no momento o seu verdadeiro “hobbie”.
Clic, já está com assinatura de Fernando Pavão.


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