Morreu o Pai Santana
Recebi alguns emails de pessoas que regularmente acompanham os meus escritos neste matutino e, também, no que diz respeito ao Portal Splish Splash. Esses mesmos leitores, e no que concerne exclusivamente ao jornal A União, sugeriram que eu, uma vez por outra, fizesse eco do que se passa aqui no
Brasil, país que fala a nossa língua e que para muitos ainda é considerado país-irmão. Creio que nesse sentido essas relações já foram melhores. São alternâncias que advém, por vezes, de comportamentos inadequados de ambas as partes, inclusivamente no que toca às respectivas classes políticas.
Ora, já sobre esta temática (relatos de acontecimentos ocorridos no Brasil), já uma vez o meu bom amigo Dr. Eduardo Ferraz da Rosa teria feito uma abordagem junto da minha pessoa. Creio que isso é interessante, mas jamais deixarei de escrever sobre episódios passados e que ainda me lembro e, sobretudo, de pessoas (inclusive as falecidas) que, por motivos que não pretendo agora dissecar, nunca tiveram o devido espaço na mídia.
Hoje, com alguma tristeza, por me considerar um vascaíno assumido vou falar do Pai Santana, falecido no dia 1 de Novembro corrente. Coberto com uma bandeira do Vasco, o corpo do ex-massagista Pai Santana foi velado na capela de Nossa Senhora das Vitórias, em São Januário. Familiares e amigos, entre eles Roberto Dinamite, presidente do Vasco, fizeram as últimas homenagens ao folclórico personagem que fez parte da História do clube. Acresce que Pai Santana morreu na manhã do referido 1 de Novembro por insuficiência respiratória em função de uma pneumonia. Ele lutava pela vida desde 2004, ano em que nós rumamos para este país. Pai Santana afastou-se do clube por problemas de saúde e desde então sofreu quatro AVC’s.
As rezas, trabalhos espirituais e até o beijo na bandeira estendida no gramado externavam o amor dele pelo Vasco. Figura carismática e muito querido na Colina, Santana, que morreu aos 77 anos de idade, muitas vezes, foi considerado o décimo-segundo jogador e tido como peça mais do que especial para que o cruz-maltino levantasse mais uma taça.
Não é à toa que, mesmo sem ter feito um golo decisivo ou uma grande defesa, que Santana tornou-se ídolo da torcida, tendo seu nome entoado em canções das arquibancadas e rosto estampado em bandeiras e camisas.
O testemunho de Carlão, massagista do Vasco: “Na década de 90, antes das conquistas, o Vasco não conseguia ganhar títulos, e eu disse que o culpado era o almirante (busto que fica na entrada social do clube). Disse que o almirante não podia beber mais uísque, que isso estava trazendo má sorte para o clube. No outro dia, Santana chegou com uma garrafa de cachaça e quebrou na cabeça do almirante.
No lado profissional, foi o precursor e a pessoa que moralizou a profissão de massagista”.
Sem se aperceber que a morte estava perto (era, de fato, um grande guerreiro), Pai Santana, na sua casa, cheia de bandeiras do Vasco, continuava com as suas rezas e trabalhos espirituais, para que o Vasco chegue a Campeão do Brasileirão. Se esse desiderato se concretizar, não restam dúvidas que, na Colina e em São Januário, ecoará o nome de Pai Santana.

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