Quando a Diocese colaborou com o Lusitânia
Em Junho de 1972, o Sporting Clube de Portugal deslocou-se à
ilha Terceira para participar nas “Bodas de Ouro” da sua delegação nº. 14,
Sport Club Lusitânia. O elenco diretivo do Lusitânia contava, entre outros, com
Luís Portugal Magalhães Brandão (presidente), Fernando Pacheco Pereira, José
Rosa da Silva, José
Manuel Berbereia, José Henrique Pimpão e mais tarde eu
próprio que fui convidado para enfileirar o departamento de futebol em
substituição de Valdemar Bretão que se demitiu, acompanhando assim a saída da
equipa técnica então formada por Manuel Macedo Pereira, Nuno Monteiro Paes e
João Alberto da Rocha Veríssimo, cargos que foram ocupados por Elvino
Bettencourt (regresso festejado) e Alberto Pereira Cunha.
Dadas as dificuldades de alojamento (Angra só contava com o Hotel de Angra), o
Sporting ficou instalado no Paço Episcopal e os jornalistas que acompanharam a
comitiva, Aurélio Márcio Alves da Costa (“A Bola”) e Hernani Santos (Record),
coube-lhes o solar do Bispo de Angra, sito no Pico da Urze. Foi uma forma de
acomodar estes dois ilustres profissionais da comunicação. Aurélio Márcio já
faleceu e Hernani Santos emigrou para a França uns anos mais tarde. Mas, para
além destes, também regista-se a presença do fotógrafo António Capela (Record),
também falecido. Aliás, dos nomes que aqui referimos, há muita gente que já não
faz parte do rol dos vivos.
O Sporting, que tinha como técnico o inglês Ronnie Allan e como seu adjunto
Mário Goulart Lino (presidente Dr. Braz de Medeiros, que veio acompanhado pelo
vice Dr. Pereira da Silva), realizou dois jogos.
Esta vinda do Sporting-mãe, proporcionou aos lusitanistas momentos de grande
euforia, visto que o clube de Alvalade já não se deslocava à Terceira há muitos
anos e tinha como principal atração o argentino Heitor Yazalde, não esquecendo
Vítor Damas.
Ora, sempre que eu me deslocava à redação do jornal “A Bola”, o Aurélio Márcio
comentava esta digressão do Sporting, sobretudo o fato de ter ficado a dormir
no Solar da Diocese, onde residia o Bispo de então, D. Manuel Afonso de
Carvalho.
Volvidos alguns anos, e por ocasião das Bodas Diamante da Associação de Futebol
de Angra do Heroísmo, o Aurélio Márcio, que nessa altura já estava aposentado
de “A Bola” e colaborava para o “Record” (esta mudança teve a ver com problemas
internos surgidos internamente em “A Bola” com o filho do Aurélio, João Manuel
Alves da Costa), fez parte do grupo de jornalistas convidados para o efeito,
entre eles o falecido Artur Agostinho, Dr. David Sequerra, Ribeiro Cristovam e
o presidente do Clube Nacional da Imprensa Desportiva (CNID). Ora, num desses
dias de permanência, creio que antes do almoço em que fomos obsequiados pela
AFAH no Hotel de Angra, o Aurélio fez questão de ir mostrar aos colegas o Solar
da Diocese. Dito e feito. A dado momento, disse ao Aurélio Márcio que o Bispo
já não era D. Manuel Afonso de Carvalho e então contei uma velha história de
uma gralha que originou a recolha dos exemplares de A União que já tinham sido
distribuídos. Claro que deu para rir, tratando-se de uma história com o seu quê
de tragicómico. Portanto, adiantei que o Bispo da Diocese já era outro. E
ficámos por aqui. De resto, a conversa mudou de rumo para um episódio passado
durante o Mundial da Argentina. Uma história em que o António Garrido pregou
uma enorme partida ao Aurélio no hotel onde ficaram. Uma história de saias dá
para perceber...
NOTA FINAL – Passados quatro anos, estive de novo com o Aurélio Márcio, desta
feita em Ponta Delgada por ocasião da inauguração do Estádio de São Miguel,
ambos ao serviço de “A Bola”. Também presente o fotógrafo António Capela e o
árbitro António Garrido. Ficamos hospedados no Hotel São Pedro e dividimos as
tarefas. No dia da chegada fiquei com o Sporting e o Aurélio com o Benfica.
Depois, no dia seguinte, fizemos a respectiva troca. Este Sporting-Benfica
(4-3) marcou o regresso de Vítor Damas à baliza dos
leões.

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