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LUÍS TOSTE – O HOMEM QUE ESTEVE LIGADO AO PROCESSO DA “MÚSICA NOVA” NO PORTO
JUDEU
Durante alguns anos, por influência da presença de meu falecido padrinho, com
o posto de Cabo do Mar, passei parte da minha infância no Porto Judeu,
sobretudo no período da época estival, sem dúvida a mais apetecida, até
porque também lá apanhava outras pessoas vindas de Angra, nomeadamente a
família
de Brito de Azevedo (com todos os seus filhos), João Paim, Raul Paim,
parentes do comerciante Alvarino que, ao que julgo, também passou por este
Brasil onde me encontro. Os primeiros no Largo de Santo António (mudou de
nome?) e os outros dois no Refugo. Era uma alegria quando, junto ao Prior do
Crato, apanhava o autocarro (aqui diz-se ônibus) para o Porto Judeu, a
maioria das vezes na companhia da minha avó materna, também já falecida há
muitos anos. E o mais curioso é que andava sempre com o Hermínio Machado
(hoje motorista de táxi e pai do ex-jogador com o mesmo nome), que trabalhava
nas terras da D. Maria do Carmo Toste para onde, inicialmente, meu padrinho
foi morar quando foi colocado na freguesia, óbvio por ter um porto de mar.
Sim, os filhos da D. Maria do Carmo, o Luís e o José, também emigraram para a
Califórnia e ambos têm uma relação com o meu amigo Osvaldo Palhinha.
O Luís esteve ligado ao processo da música ligada à Brianda Pereira, a então
denominada por “música nova”. Foi um processo moroso e os “inimigos” glosavam
com isso com a frase “toca ou não toca?”, A indumentária dos músicos já
estava pronta, só faltava a autorização para tocar. E quando essa autorização
chegou foi um momento de grande alegria para as hostes dos Castelhanos. Hoje,
como se sabe, o Porto Judeu está diferente, mais unido, em suma, num todo.
Luís Toste sempre foi um grande amigo e o José também, Muitas vezes fui às
terras da D. Maria do Carmo com o Luís eu sentado numa burrinha que eles
dispunham para trazer o que as terras produziam. Luís e José duma extrema
simpatia. Uma educação soberba o que muito orgulhava a D. Maria do Carmo.
De “toca ou não toca”, creio que o Luís em casa ainda vai tocando alguma
coisa, de acordo com uma foto que foi colocada aqui no facebook, quiçá o
instrumento que utilizava na tal “música nova”, que deu muito que falar e
dores de cabeça a muita gente. Outros tempos, outras gentes.
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