Uma das figuras mais carismáticas que passou pelos campos de futebol da ilha
Terceira - e não só -, acompanhando, com aquela
reconhecida paixão, o "seu" Lusitânia. Um velho amigo que, também,
jamais esquecerei, daí voltar a publicar este artigo que foi inserido em 2011
no jornal A União, no espaço de
colunista que me foi reservado. A ele, também
juntei outro xará, também falecido, o tenente-coronel Francisco das Neves
Almeida.
Dois Almeidas com Francisco
Tenho acompanhado, de uma forma regular, através das notícias veiculadas nos
jornais da região, designadamente os terceirenses, a situação periclitante em
que se encontra o Sport Club Lusitânia, que foi um velho senhor do futebol das
ilhas.
Agora, mau grado o seu brilhante historial, não passa de um clube com o seu
quê de vulgaridade, face aos problemas vividos em torno da coletividade,
problemas esses que são do domínio público.
Um clube por onde passaram grandes figuras da sociedade angrense, como,
aliás, aconteceu com outros concorrentes, nomeadamente o Sport Club Angrense,
este a viver um momento de grandeza pela sua subida ao segundo escalão do
futebol nacional, por onde o Lusitânia passou e foi, há que dizê-lo, o primeiro
a atingir esse patamar. Depois, surgiu o Santa Clara que se catapultou para o
máximo degrau do futebol português. Ainda hoje, manda a verdade dizer (e sem
discutirmos aqui apoios), é o clube mais representativo da região açoriana.
Mas, voltando ao Lusitânia, das pessoas que sempre o veneraram, temos dois
Almeidas com Francisco, ou seja, o nosso Francisco Almeida que sempre animou o
sector da bancada onde se encontrava sentado, com a sua frase incentivadora
“essa bola prá baliza, verdes!”. Digamos que esta será sempre a “voz da
saudade”, inclusive se o Lusitânia, infelizmente, fechar a porta, como se
apregoa. Aliás, ao concretizar-se esse cenário, que muitos lusitanistas dizem
de provável, o futebol açoriano perderia um dos seus expoentes máximos. E
creio, sem sombra de dúvidas, que este Francisco Almeida teria um dos maiores
desgostos da sua vida. O melhor será mesmo esperar por melhores dias e
acreditar que a dívida do clube pode ser solucionada, tarefa extremamente
difícil (mas jamais impossível) para quem lá estiver na condução dos seus
destinos.
O outro Francisco Almeida, falecido recentemente, foi uma pessoa de uma
conduta exemplar e, profissionalmente falando, um militar digno. Foi, a par de
José Gabriel Fragoso e outros, um dos mais carismáticos dirigentes do
Lusitânia. Com ele, chegamos a trabalhar, quer como treinador quer como
funcionário, e a nossa relação foi sempre de respeito mútuo. E mais: quando
tinha alguma dúvida, sempre me procurou, sobretudo em assuntos ligados
intrinsecamente à Federação Portuguesa de Futebol. Por conseguinte, o falecido
Tenente-Coronel Francisco Almeida, como dirigente foi das pessoas marcantes no
panorama futebolístico regional e o Lusitânia tem que se orgulhar de ter tido
no seu seio uma pessoa tão extraordinária, prenhe de coerência e de motivação
para fazer do seu clube do coração uma referência ao nível nacional.
Hoje, com estes dois Almeidas, Franciscos, pessoas que sempre viveram o
Lusitânia com verdadeira alma. Saúde para o Tio Francisco e, por outro lado,
que descanse em PAZ o já nosso saudoso amigo, Francisco das Neves Almeida.

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