AS CORTESIAS DO SENHOR AURÉLIO FONSECA
Estou
escrevendo este artigo já dentro do espírito da quadra natalícia, não sabendo,
porém, a data da sua publicação, uma vez que já tinha outros prontos a seguir
para a redação de A União. Para, além disso, como se tratam de artigos que não
têm concorrência, não me preocupo com o timing de saída. Gosto isso
sim de ter
artigos feitos para seguirem na sua própria oportunidade, isto é, sabendo que
tenho no computador, e seguindo um género de linha comercial, material em
“stock”. Não me preocupo com o chegar do dia (segunda ou sexta-feira) e não ter
nada para enviar ao meu grande amigo João Rocha, editor deste jornal. E, na
verdade, desde que aqui estou, nas circunstâncias conhecidas, ainda não falhei.
E penso que isso não vai acontecer enquanto a minha memória estiver a funcionar
em pleno, não obstante de já ter errado numa ou outra situação, não muitas, é
certo. Mas uma memória “sem brancas” não tem graça alguma. Pelo menos é motivo
para aqueles que nada fazem criticarem. São esses que estão sempre à espera dos
nossos erros e/ou omissões.
Domingo, 11
de Dezembro, estava a poucas horas de sintonizar a Antena 1 – Açores para ouvir
os relatos do nosso futebolzinho. A saudade bate sempre, com mais ou menos
qualidade dos clubes que estão inseridos nas divisões secundárias do futebol
nacional. Clubes açorianos, claro, designadamente os da minha terra. Mas, neste
domingo, 11, comecei a fazer contas de somar (“sumir” ainda não quero) em
relação aos dias que faltavam para a celebração do Natal. Uma lágrima caiu
quando recordei que, em 2010, estava junto dos meus familiares e dos muitos
amigos que lá estão na santa terrinha. E a recordação voltou-se, depois, para
os tempos de infância e de jovem. O tempo em que muito parava na Rua do Santo
Espírito, descendo a Rua do Morrão. Quando esperava por algum amigo que
frequentava a escola particular do Tenente Areias, que contou com uma excelente
professora, do meu bairro (o Corpo Santo), a D. Mercês que morava por cima da
mercearia do nosso grande amigo, Manuel Basílio, pai do Ildeberto Alves, do
Hélio, da Manuela e da Maria Alice. O Hélio infelizmente faleceu e os outros
três vivem em Fall River e com eles convivi algumas vezes durante as minhas
passagens jornalísticas pelos States. Falava da paragem na Rua de Santo
Espírito que também teve a ver, e muito, com as lojas do senhor Aurélio da
Fonseca (pai do ex-secretário da cultura com o mesmo nome). Os brinquedos da
época que nos fascinavam e, obviamente, porque hoje já não há muita gente com
estas características, as cortesias do senhor Aurélio para quem passava e,
naturalmente, para todos aqueles que entravam nas suas lojas, nomeadamente a
chamada “Casa Mãe”, creio que onde ele mais parava. Ainda me lembro do
empregado Silva que mais tarde foi dono do MiniMax na Rua da Sé. O senhor
Aurélio era um cara (permitem-me o brasileirismo) que irradiava simpatia e boa
disposição, aliás, como acontecia com os outros irmãos, também comerciantes,
mas em outra área. A minha relação foi, depois de adulto, mais frequente com o
Fausto (“o carequinha”), pela Recreio, por procurar a sua loja quando queria
uma roupa com mais qualidade e, claro, por ser amigo do filho (do mesmo nome)
que, felizmente, encontrei, na minha recente visita à Terceira, o mesmo dizendo
do Dr. Aurélio da Fonseca. E era quase sempre no Modelo que encontrava a
maioria dos amigos e conhecidos.
Ficou aqui
o retrato (não tão bem como eu pretendia) de um dos mais conhecidos e venerados
comerciantes do burgo angrense, arauto de uma impressionante delicadeza com as
suas cortesias da praxe.

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