A OUTRA SENHORA DOLORES
Por ora não
vou falar da minha mãe Dolores, da minha tia Dolores (já falecida há muitos
anos), da Carmen Dolores, da Maria Dolores que o Guy Fernandes cantava (que
vozeirão) e de outras pessoas com o mesmo nome e que, por exemplo, aqui no
Brasil, não é muito usual, bastando, para o efeito, constatar
no facebook que é
uma raridade encontrar-se uma Dolores.
Nesta
encruzilhada em que faço jornalismo, quase a atingir os 48 anos (a minha
primeira crónica a 10 de Março de 1964 no jornal “Ecos do Marítimo”), posso
dizer que, em termos de tecnologia, e até aos dias de hoje, passei por tudo.
Mas, na verdade, os momentos mais difíceis foram aqueles em que, apenas, se
utilizava o telefone via-chamadas-operadora, isto é, pedir uma chamada para
determinada hora quando de tratava de uma necessidade para o exterior,
nomeadamente Terceira-Lisboa e vice-versa, para apenas nos situarmos aqui. Ora,
quando entrei no jornal “A Bola” tive, em certas ocasiões, que utilizar este processo,
designadamente no que respeita a jogos da Taça de Portugal, cuja crónica tinha
que seguir pouco tempo após o termo do respectivo jogo. Era, de fato, um
momento de stress quando se pedia uma chamada para as 20 horas (exemplo) e ela
só chegava duas horas depois. Isso aconteceu algumas vezes, mas, depois, por
sugestão de uma pessoa amiga, comecei-me a virar para a D.Dolores, mãe do José
Manuel Baião, tia do Orlando Couto e da Oswalda. Lógico que essas chamadas eram
solicitadas para a central (CTT) que funcionava em São Miguel. Mas, como o
filho também já tinha o bichinho do jornalismo, D.Dolores, que quanto sei
faleceu há cinco anos atrás em Ponta Delgada, sempre se disponibilizou para nos
ajudar e, inclusive, quando não estava de serviço, para o efeito intercedia
junto da colega que lá estava nesse posto de trabalho. Posso dizer que fui um
sortudo ao conhecer, profissionalmente falando, a D.Dolores, prestativa q.b.
dentro das suas próprias possibilidades. E mais posso referir que nunca tive
problema algum de uma crónica chegar à redação de Lisboa com o jornal
praticamente fechado, graças ao empenho e esforço desenvolvido por essa
extraordinária amiga que também desejo que faça parte da minha equipa no “outro
lado da vida”. Se agora já temos o “Zé Carlão” como recepcionista, a D.Dolores
encaixa bem nesse grupo como telefonista, pela sua lata experiência e,
sobretudo, pelo seu dinamismo. Quando reconhecia a minha voz, já perguntava:
para que horas é que deseja a chamada?
D.Dolores
foi um prazer tê-la como amiga e devo-lhe favores que hoje nunca esqueço. Que
descanse em PAZ e fica desde já combinado que vamos contar consigo para
enfileirar o grupo de açorianos que farão parte da empresa que irá laborar “o
jornal do outro lado da vida”. Contamos consigo. Já vou “telegrafar” ao JD
Macide para ele colocar no dispositivo da
“empresa-jornal-do-outro-lado-da-vida” o seguinte: telefonista em full-time,
D.Maria Dolores Rocha Rego Baião.

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