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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Do jornalista João Rocha - Donald Trump no Texas




Donald Trump no Texas

sem sair da Ribeirinha


Donald Trump, sem saber bem como, está encostado ao balcão da Sociedade da Serra da Ribeirinha, em Angra do Heroísmo.
O insólito deve-se a uma ameaça de rapto do novo presidente dos EUA quando se encontrava a bordo do “Air Force One”.
Os conselheiros de segurança presidencial optaram por uma aterragem de emergência da “Casa Branca voadora” na Base das Lajes.
Trump fez, por via do incidente, questão de visitar a Serra da Ribeirinha, após sugestão de um dos seus assessores de imprensa, Joe Nunes (neto do dono da maior “estoa” de Fall River).
O Doutor Nunes (curso de relações internacionais e olhares regionais na Universidade de Harvard) convencera-o de imediato: “o senhor Presidente vai visitar o verdadeiro Texas sem sair da Ribeirinha!”.
É segunda-feira à noite. Apenas estão na sociedade os dois clientes de todos os dias – Zé Morto, que já sobreviveu a mais de 20 colhidas de toiros, e Rafael Tremoço, assim conhecido por fazer questão de acompanhar cada cerveja com o marisco do Eusébio.
Rafael, que já aviara meia dúzia de frescas, dá um toque no ombro do companheiro e diz baixinho: “acho que conheço aquele gajo com o cabelo esquisito. Suponho que é da família do Pato Donald”.
“És mesmo bêbedo e estúpido. O senhor é o novo presidente dos EUA”, responde Zé Morto, num tom de voz mais vivo.
“Vamos meter conversa com o homem” – concluem, em simultâneo.
Tremoço, o mais atrevido, dá uma pancada nas costas de Trump. O bilionário, agora presidente da maior potência mundial, comenta meio atónito: “queres apalpar-me ou quê?”.
Joe Nunes coloca logo água na fervura: “senhor Presidente, aqui só há gente de bem”.
Zé Morto espevita-se e aperta, de imediato, o bacalhau a Trump. Este vira-se para o barman e manda trazer duas cervejas até porque os recém-conhecidos não dão mostras de gostar de Coca-Cola.
Os quatro à mesa iniciam divagações sobre as novas medidas de Trump para os EUA. Tremoço e Morto coincidem na opinião de que deve ser erigido (embora desconheçam o significado da palavra…) um muro a separar americanos e mexicanos.
“Pode perguntar ao Zé Morto à vontade. Eu sempre disse que o melhor era separar a nossa Serra da Ribeirinha do Meio da Rua com um muro”.
Trump sorri de orelha a orelha e pergunta qual o material que sugerem para a construção do muro.
Tremoço, além do copo da cerveja, agarra-se de novo à palavra: “homem de Deus, o melhor é usar pedra dos nossos “sarrados”. A pedra aparelhada é muito cara e o senhor deve os olhos da cara aos chineses”.
Morto torna a dar sinal de vida. “O senhor Trump gosta de touradas? O meu partido é o do José Albino”.
Trump fica meio atrapalhado e, com a ajuda de Joe Nunes, faz saber que “só atura republicanos”.
O assessor acha por bem lançar as despedidas, sem que antes pague nova rodada.
Trump quer, ainda, saber se “há um bar aberto onde se possa apalpar bons rabos”.
Tremoço tenta ajudar o manda-chuva dos states, mas os guarda-costas entram na sociedade e conseguem convencer Trump a seguir rapidamente na limousine.
Morto ressuscita o tema: “aquele gajo é tarado sexual e tem uma mulher boa como o milho. Acho que se chama Melancia ou qualquer coisa assim”.
“É Melania, burro, e já foi uma daquelas modelos que se despem em coiro”.
“Quero lá saber se é coirão ou não. Este Donald parece-me “bagage” de porão”, sentencia Zé Morto a caminho de uma tarefa que ninguém pode fazer por ele.





Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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