Donald Trump no Texas
sem sair da Ribeirinha
Donald Trump, sem saber bem como,
está encostado ao balcão da Sociedade da Serra da Ribeirinha, em Angra do
Heroísmo.
O insólito deve-se a uma ameaça
de rapto do novo presidente dos EUA quando se encontrava a bordo do “Air Force
One”.
Os conselheiros de segurança
presidencial optaram por uma aterragem de emergência da “Casa Branca voadora”
na Base das Lajes.
Trump fez, por via do incidente,
questão de visitar a Serra da Ribeirinha, após sugestão de um dos seus
assessores de imprensa, Joe Nunes (neto do dono da maior “estoa” de Fall
River).
O Doutor Nunes (curso de relações
internacionais e olhares regionais na Universidade de Harvard) convencera-o de
imediato: “o senhor Presidente vai visitar o verdadeiro Texas sem sair da
Ribeirinha!”.
É segunda-feira à noite. Apenas
estão na sociedade os dois clientes de todos os dias – Zé Morto, que já
sobreviveu a mais de 20 colhidas de toiros, e Rafael Tremoço, assim conhecido
por fazer questão de acompanhar cada cerveja com o marisco do Eusébio.
Rafael, que já aviara meia dúzia
de frescas, dá um toque no ombro do companheiro e diz baixinho: “acho que
conheço aquele gajo com o cabelo esquisito. Suponho que é da família do Pato
Donald”.
“És mesmo bêbedo e estúpido. O
senhor é o novo presidente dos EUA”, responde Zé Morto, num tom de voz mais
vivo.
“Vamos meter conversa com o
homem” – concluem, em simultâneo.
Tremoço, o mais atrevido, dá uma
pancada nas costas de Trump. O bilionário, agora presidente da maior potência
mundial, comenta meio atónito: “queres apalpar-me ou quê?”.
Joe Nunes coloca logo água na
fervura: “senhor Presidente, aqui só há gente de bem”.
Zé Morto espevita-se e aperta, de
imediato, o bacalhau a Trump. Este vira-se para o barman e manda trazer duas
cervejas até porque os recém-conhecidos não dão mostras de gostar de Coca-Cola.
Os quatro à mesa iniciam
divagações sobre as novas medidas de Trump para os EUA. Tremoço e Morto
coincidem na opinião de que deve ser erigido (embora desconheçam o significado
da palavra…) um muro a separar americanos e mexicanos.
“Pode perguntar ao Zé Morto à
vontade. Eu sempre disse que o melhor era separar a nossa Serra da Ribeirinha
do Meio da Rua com um muro”.
Trump sorri de orelha a orelha e
pergunta qual o material que sugerem para a construção do muro.
Tremoço, além do copo da cerveja,
agarra-se de novo à palavra: “homem de Deus, o melhor é usar pedra dos nossos
“sarrados”. A pedra aparelhada é muito cara e o senhor deve os olhos da cara
aos chineses”.
Morto torna a dar sinal de vida.
“O senhor Trump gosta de touradas? O meu partido é o do José Albino”.
Trump fica meio atrapalhado e,
com a ajuda de Joe Nunes, faz saber que “só atura republicanos”.
O assessor acha por bem lançar as
despedidas, sem que antes pague nova rodada.
Trump quer, ainda, saber se “há
um bar aberto onde se possa apalpar bons rabos”.
Tremoço tenta ajudar o
manda-chuva dos states, mas os guarda-costas entram na sociedade e conseguem
convencer Trump a seguir rapidamente na limousine.
Morto ressuscita o tema: “aquele
gajo é tarado sexual e tem uma mulher boa como o milho. Acho que se chama
Melancia ou qualquer coisa assim”.
“É Melania, burro, e já foi uma
daquelas modelos que se despem em coiro”.
“Quero lá saber se é coirão ou
não. Este Donald parece-me “bagage” de porão”, sentencia Zé Morto a caminho de
uma tarefa que ninguém pode fazer por ele.


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