TIO AUGUSTO GOSTAVA DE UMA FOFOCA
As coisas vão escorrendo, vão surgindo quando a concentração se vira
para o outrora. E há casos em que um simples email, uma simples foto, nos leva
a um assunto desse velho tempo que para muitos foi marcante, apesar de andarmos
submetidos ao regime salazarista. Mas, hoje, com troikas e outras coisas tais,
até já vemos o Salazar “pra cá e pra lá”. Já ouvi alguém dizer que vivia melhor
no tempo do ditador, mau grado o fato de não se poder exprimir o que ia na
alma. A tal censura, a tal PIDE, que incomodava. É uma pura realidade. Mas
hoje, por certo, existem sectores semelhantes que afinam pelo mesmo diapasão.
Quem tem dúvidas nesse sentido?
Recebi recentemente um email de incentivo, pela minha memória, do
amigo e distinto médico Luís Brito de Azevedo. Sim, amigo, posso dizer isso.
Aliás, o mesmo em relação aos outros irmãos. Quando muito jovem conheci a
família que, tal como eu, passava os fins-de-semana no Porto Judeu. Por isso é
que ainda hoje são muito queridos na localidade. O tempo jamais apagou o quanto
o falecido Comissário Brito gostava da sua e nossa freguesia. Digo nossa
porque, também, não esqueço os bons momentos de infância que por ali passei, no
tempo das grandes rivalidades, assunto que inclusivamente já escrevi no artigo
PORTO JUDEU DE ONTEM E DE HOJE.
Com o email do DR. Luís Brito de Azevedo, lembrei-me logo da figura do
seu sogro o Tio Augusto com quem, profissionalmente falando, tive contatos
diretos. Era uma pessoa de uma calma extraordinária, sempre prestativo e de uma
compreensão que sempre considerei de paradigmática.
Tio Augusto, esclarecendo desde já o Dr. Augusto Pamplona Monjardino,
gostava muito de uma fofoca, de saber novidades disto e daquilo, mas isso junto
das pessoas que ele conhecia e também sabendo os terrenos que pisava nesse
sentido. Sempre que me via, Tio Augusto perguntava o que há de novidades neste
futebol? Lá passava o que na altura conhecia e, também, outras novidades
relacionadas com áreas diferentes. Quase que me considerava um jornal
informativo para o Tio Augusto. Uma coisa quero aqui deixar clara: nunca
falamos de mulheres, até pelo grande respeito que eu tinha pelo Tio Augusto,
outra figura que recordo com enorme saudade. Era um homem de bom coração e que
não complicava a vida a ninguém.
Tio Augusto, quando eu chegar ao “outro lado da vida”, levo um enorme
relatório para nos deliciarmos por um tempo prolongado. São muitas as páginas e,
desta feita, vou mesmo ter que falar de mulheres. Não é pecado e nem será uma
falta de respeito para com o Tio Augusto. Uma fofoca diferente.

Sem comentários:
Enviar um comentário