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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Do jornalista João Rocha






Sexta-feira 13 e superstições


                                                                                    

Todos nós, quase sem darmos conta, acumulamos uma data de hábitos, superstições e tiques ao longo da vida.
Utilizamos estas “bengalas” com propósitos variados mas tendo sempre em conta a criação de um certo conforto, de nos sentirmos seguros com a sua aplicação.

A educação e o meio que nos rodeia acabam por ter influência direta. O meu carro, além de fazer questão de ser benzido pelo Padre Francisco Dolores, ostenta sempre um crucifixo. Benzo-me à passagem junto de igrejas e cemitérios e guardo uma medalha da Nossa Senhora dos Milagres da Serreta na carteira.
Quanto às superstições sobre atracão de azar/sorte não sou fundamentalista. Gatos pretos, brancos ou de outra cor qualquer não me provocam constrangimento e, se tiver que passar por debaixo da escada, nem perco meio segundo a pensar no assunto, sem falar no pormenor de fazer pontaria para apostar no Euromilhões às sextas (como hoje) que calham a 13 no calendário.
Quando o espelho se parte, compreendo que tenha sido em legítima defesa por ter a ingrata missão de me encarar diariamente.
Todavia, é impossível dizer que a minha superstição é não ser supersticioso. Dou um exemplo concreto a nível clubístico: se vejo o Sporting a perder na televisão do café, procuro assistir noutro estabelecimento comercial o jogo seguinte.
Evito abrir o guarda-chuva em espaços fechados e desfaço, de imediato, os talheres cruzados.
Prefiro estacionar à direita, conduzo com a janela aberta mesmo em dias tempestuosos e fico na dúvida, cada vez mais insistentemente, se já apliquei o gel de banho ou não durante o duche.
Utilizo com abundância a expressão “vamos lá” e durmo pior quando deitado sob a esquerda com vista privilegiada para o LCD do quarto de cama.
Tenho ideia que fujo à caracterização do típico cismado, embora reconheça os meus hábitos e manias como toda a gente.
Aqui segue a derradeira. Começo imperativamente os textos para o jornal escrevendo “O João”.
A única exceção ocorreu nos primórdios da carreira, então ao serviço do Diário Insular. A reportagem incidia sobre agências funerárias e optei por não arriscar. Escrevi “O outro João”.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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