Sexta-feira 13 e superstições
Todos nós, quase sem darmos conta, acumulamos
uma data de hábitos, superstições e tiques ao longo da vida.
Utilizamos estas “bengalas” com propósitos
variados mas tendo sempre em conta a criação de um certo conforto, de nos
sentirmos seguros com a sua aplicação.
A educação e o meio que nos rodeia acabam por
ter influência direta. O meu carro, além de fazer questão de ser benzido pelo
Padre Francisco Dolores, ostenta sempre um crucifixo. Benzo-me à passagem junto
de igrejas e cemitérios e guardo uma medalha da Nossa Senhora dos Milagres da
Serreta na carteira.
Quanto às superstições sobre atracão de
azar/sorte não sou fundamentalista. Gatos pretos, brancos ou de outra cor
qualquer não me provocam constrangimento e, se tiver que passar por debaixo da
escada, nem perco meio segundo a pensar no assunto, sem falar no pormenor de
fazer pontaria para apostar no Euromilhões às sextas (como hoje) que calham a
13 no calendário.
Quando o espelho se parte, compreendo que tenha
sido em legítima defesa por ter a ingrata missão de me encarar diariamente.
Todavia, é impossível dizer que a minha
superstição é não ser supersticioso. Dou um exemplo concreto a nível
clubístico: se vejo o Sporting a perder na televisão do café, procuro assistir
noutro estabelecimento comercial o jogo seguinte.
Evito abrir o guarda-chuva em espaços fechados
e desfaço, de imediato, os talheres cruzados.
Prefiro estacionar à direita, conduzo com a
janela aberta mesmo em dias tempestuosos e fico na dúvida, cada vez mais
insistentemente, se já apliquei o gel de banho ou não durante o duche.
Utilizo com abundância a expressão “vamos lá”
e durmo pior quando deitado sob a esquerda com vista privilegiada para o LCD do
quarto de cama.
Tenho ideia que fujo à caracterização do
típico cismado, embora reconheça os meus hábitos e manias como toda a gente.
Aqui segue a derradeira. Começo
imperativamente os textos para o jornal escrevendo “O João”.
A única exceção ocorreu nos primórdios da
carreira, então ao serviço do Diário Insular. A reportagem incidia sobre
agências funerárias e optei por não arriscar. Escrevi “O outro João”.


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