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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Do jornalista João Rocha




Terceira em pé de dança


                                                                                 


Um bêbado, um maricas, um tolo e um surdo aprendem a dançar com o objetivo de ganhar um prémio. À primeira vista pode parecer coisa de doidos, mas se dissermos que se trata do enredo de uma dança de pandeiro tudo se clarifica. Sob o mote da alegria, o tradicional Carnaval terceirense, traduzido
nas danças e bailinhos, é um caso de enorme sucesso mobilizando a ilha quase por inteiro.
Este ano sobem a palco quase seis dezenas de bailinhos e danças, evidenciando dotes artísticos de pessoas que quase passam despercebidos na rotina diária.
Cerca de dois meses duram os ensaios, aprimorando execuções musicais, passes de dança e representações teatrais.
Há textos para decorar, cenários a montar e roupa por alinhavar numa azáfama incessante para as costureiras.
As sociedades esmeram-se para receber da melhor forma possível artistas e público, que enche por completo as plateias.
O tempo corre célere e o Carnaval, nos salões, tem a duração de quatro dias, entre sábado e terça-feira, gerando mais-valias financeiras de difícil quantificação.
Neste corrupio constante, nota-se que cada vez há mais participantes nas danças e bailinhos, sobretudo gente jovem que acrescenta brilho à festa através da componente musical.
Surgem novos autores de enredos e a indumentária ostenta enorme riqueza visual.
Nem vamos falar dos inúmeros entusiastas que perdem noites na espera aos bilhetes para recintos com entrada paga e do incontido entusiasmo dos emigrantes pelas transmissões televisivas ou via Internet.
Há ainda a particularidade de muitos acompanharem as peripécias do nosso Carnaval com o ouvido no rádio.
Enfim, as danças e bailinhos são um verdadeiro espetáculo, com números globais esmagadores. As danças são para correr e não para serem corridas do mapa da alegria do povo.
No meio de tanta pujança, lá surgem as vozes “iluminadas” augurando pouco futuro para esta tradição.
Não será caso para alarido, até porque há vozes pouco talhadas para chegarem ao Céu.
Mesmo assim, há remédio santo para quem não gosta das danças e bailinhos: fique em casa a dar banho ao cão…
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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