JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Do jornalista João Rocha


Entra Amaro, sai Amaro!

                                                                 


 
Desconhecia em absoluto que a frequência modelada correspondia ao FM e que a onda média era em AM. O que me interessava era ouvir os relatos das fabulosas equipas do Lusitânia das épocas de 1978/79 (primeira participação nacional na Série “E” da III Divisão Nacional de futebol) e 1979/80 (subida à II Divisão – Zona Sul).

É uma das minhas memórias infantis mais consistentes. Acompanhava a par e ouvido as façanhas de jogadores inesquecíveis.
O guarda-redes Jorge Teixeira, os defesas Zeca, Couto, Teves, Dionísio, Serafim, David, os médios Carlos Alberto, Adelino, João Amaro, João Gabriel, Paulo Marcelino, Balaia, Aristides e os avançados Martins, Arlindo e Seidi, sob orientação do técnico Mário Nunes.
A par, era no peão do velhinho Municipal de Angra do Heroísmo, vendo e delirando com investidas que culminavam em golos lusitanistas sem que o opositor “cheirasse” a bola.
Pelo ouvido, era à conta do Norberto Barcelos, locutor destacado pelo Rádio Club de Angra (RCA) para terras quase misteriosas para um petiz de oito/nove anos. O Norberto (já me tornei amigo do homem vai para três décadas) entrava-me pela casa dentro, via microfone da rádio, a partir dos longínquos terrenos do União de Tires, Oriental, Vialonga, Vitória de Lisboa, Odivelas, Sacavenense e por aí fora e arredores.
Para mim, na altura, Norberto Barcelos era a verdadeira voz da… “Voz da Terceira”. Eu e os meus irmãos (dois a puxar pelos verdes e os outros dois a favor dos vermelhos) não perdíamos pitada dos relatos e dos programas informativos sobre desporto.
Eram os resultados e comentários que nos prendiam ao velho, mas bonito, rádio lá de casa. Ao fundo dava para ouvir o barulho do corte nas folhas saídas pela ANOP, agência noticiosa nacional que antecedeu à Lusa. Não víamos, mas era como se fosse. Pelo som imaginávamos os lances geniais de Oliveira, Manuel Fernandes, Jordão (Sporting), Nené, Chalana e João Alves (Benfica).
 Só para situar os eventuais leitores mais novos, basta dizer que o televisor (era mesmo só um em cada lar) passava as imagens a preto e branco.
O “Domingo Desportivo”, retransmitido pela RTP/Açores apenas na noite de segunda-feira, era um verdadeiro estrondo. Para que a malta jovem não me goze, posso argumentar que atualmente disponho de mais de uma centena de canais sendo que a TV Cabo mostra uma pontaria verdadeiramente cirúrgica – só corta o pio ao canal VH1, especializado em música do “meu tempo”, produzida nas inconfundíveis décadas de oitenta e noventa.
Voltando à rádio, referência para o marco histórico de um relato de futebol. João Amaro, hoje meu particular amigo e defensor/praticante da ternurenta máxima de que “tudo o que mexe é bola”, entrou a substituir um colega da equipa do Lusitânia, num jogo ante o Bucelenses. Mal pisou o terreno, deu uma sarrafada no adversário e o árbitro nem hesitou em aplicar a cartolina encarnada.
Norberto Barcelos relatou a ocorrência assim: “Entra Amaro…sai Amaro!”.

joaorochagenio@hotmao



Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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