Reaprender a ser feliz
É a época do faz de conta. Ser criança, no fundo, é ver o mundo
com olhos na perspetiva da aventura, da descoberta e do conhecimento sem
condicionalismos.
Joga-se com todos os sentidos, fazendo do quotidiano uma eterna fábula.
Sonha-se acordado, descortinando magia numa simples bola de sabão.
Os pais são fortaleza, os irmãos a âncora e os amigos fazem da vida uma
reinação.
Tudo surge de forma ampliada num horizonte
desenhado com a tinta do amor.
As brincadeiras são rituais sem classes, as birras
convites à atenção alheia.
O choro e o riso entrecruzam-se como a passagem da
sopa para o chocolate.
O arranhão da queda abre caminho para emoções de
liberdade que devem ser apre(e)ndidas sem livros de instruções.
As regras surgem instáveis como o vento e a ambição
tem a cara da inocência.
A felicidade é descomplicada, os sorrisos revelam
tesouros do coração.
O sumário das lições de vida guia-se por linhas
direitas, onde a hipocrisia fica à porta do dicionário dos sentimentos genuínos.
Uma boneca e uma bola dão sentido real ao
imaginário dos momentos bons e simples.
Voltando ao ponto de partida, à essência das
coisas, é sempre possível reencontrar os pontos cardeais da existência.
Um de junho, data da comemoração do Dia Mundial da Criança,
é o pretexto ideal para reaprender a ser feliz.
Basta utilizar a visão com a lupa da fantasia e
mergulhar literalmente no pátio da infância.
E, se esbarrar com fadas e mágicos, o melhor mesmo
é recusar o estatuto de urgência no processo de voltar a ser grande.
joaorochagenio@hotmail.com


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