MADRE PIETRA – (QUE JÁ
TERMINOU DE DESENHAR A AMARELINHA) E meu foi Poeta, de Maria Aparecida
Camargos de Freitas.
Os campos mais verdes
são os que estão mais
distantes
na invernada.
Para buscá-los tem caminhante
que vencer as barreiras da
jornada.
Um tronco na trilha,
a água da enxurrada,
de cerrado, carrapichos,
espinhos, cobras e lagartos.
O calor, o suor, o temor, o
cansaço,
a fome, a dor, o calo do
calçado.
Tudo isso então desaparece
para dar lugar ao encantamento
de avistar, à frente, o campo
desejado.
Assim a vida flui.
Os sonhos vêm e vão, como
quimeras,
Ama-se, sofre-se.
Bendito sofrimento
que lapida a alma e
a transforma em poeta!
FREI ALFREDO – Este mosteiro
não é mais o mesmo, ele tem cheiro de poesia. É um mosteiro poético. Por falar
em cheiro, o poema que escolhi foi Amigo das Flores, de Antônio Lourenço Xavier.
O conta-gotas do tempo
anda disparado
e quem retarda no amor,
perde o momento pleno.
Não deixe para amanhã
o que pode fazer hoje:
aproveite a minha presença
e me ofereça tudo agora.
Depois da minha partida
não desperdice o choro
e nem reclame nada,
porque a vida de um homem
não se apaga com a chama
de uma vela chegando ao fim.
Guarde-me no coração
ou sopre-me pela janela,
mas não leve flores ao
cemitério
para enfeitar a minha
ausência.
Elas morrerão abandonadas.
MADRE PIETRA – É, Antônio
Lourenço Xavier tem razão. Devemos viver plenamente, cada minuto. Roberta?
Frantieska? Vocês queriam brincar?
FREI ALFREDO – Noviça Maria
Rita, a senhorita não viu a minha bíblia?
MARIA RITA – Acho que o Frei
Luís pegou.
FREI ALFREDO – Obrigado. (SAI)
ROBERTA – Amarelinha! Adoro
brincar! Tive uma ideia, vou falar meu poema brincando.

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