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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Do colaborador José Henrique Pimpão



AINDA O CÉLEBRE LUSITÂNIA – FC PORTO… POR REALIZAR

A palavra vale mais que o ouro

José Henrique Pimpão, sócio n.º 14 e antigo dirigente do Lusitânia, afirma que “o FC Porto é o único dos chamados três grandes a faltar à palavra”.

O recente encontro particular entre Praiense e Sporting, realizado no estádio municipal da Praia da Vitória, que serviu de apresentação dos encarnados aos sócios e adeptos, trouxe novamente à ordem do dia o célebre Lusitânia – FC Porto que nunca se chegou a concretizar.

Recorde-se, a propósito, que o amistoso entre Praiense e Sporting ficou acordado aquando do embate entre ambos na época finda, válido para a Taça de Portugal. A antecipação da partida, atendendo aos compromissos europeus dos lisboetas, esteve na base das negociações.

PROMESSA POR CUMPRIR
Como é público, o FC Porto deveria ter enfrentado o Lusitânia, em Angra do Heroísmo, na época 1963/64, para as meias-finais da Taça de Portugal. Porém, o grémio nortenho alegou dificuldades de transportes para chegar à ilha Terceira.
Neste quadro foi estabelecido um acordo entre os clubes intervenientes e a Federação Portuguesa de Futebol, em que o Lusitânia abdicava da Taça de Portugal e, em troca, a turma da cidade Invicta comprometia-se a efetuar uma peleja amigável, em Angra do Heroísmo, com os lusitanistas, a expensas próprias, revertendo a receita para os açorianos.
Acontece que este compromisso nunca foi saldado, algo que ainda hoje incomoda as hostes leoninas. Aliás, há quatro épocas, aquando de uma visita do FC Porto a São Miguel, para defrontar o Santa Clara para o Troféu Pauleta, uma delegação do Lusitânia, composta pelos dirigentes da então Comissão Executiva que liderava o clube, Mário Santos e Ruben Silva, deslocou-se propositadamente àquela ilha para reunir com os responsáveis do FC Porto, entre os quais Antero Henrique, agora no multimilionário PSG.
Segundo conseguimos apurar, os dirigentes azuis-e-brancos reconheceram o compromisso em causa e manifestaram vontade de o respeitar. A verdade, no entanto, é que, desde essa data, o FC Porto nunca mais se manifestou sobre o assunto.
O tema voltou, inclusive, a ser badalado em novembro de 2015, a propósito da presença do FC Porto na Terceira para enfrentar o Angrense para a Taça de Portugal. Lusitânia e FC Porto reuniram de novo, ficaram acertadas algumas ideias, só que, na prática, tudo continuou igual.

ÚNICO GRANDE EM FALTA
Sócio n.º 14 e ex-dirigente da coletividade sediada na rua da Sé, José Henrique Pimpão é a voz mais crítica em relação ao comportamento dos azuis e brancos.

“Benfica, com o Angrense (numa situação muito similar à do Lusitânia – FC Porto), e Sporting, com o Praiense, cumpriram os acordos estabelecidos, algo que só os dignifica. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer do FC Porto em relação ao Lusitânia. A palavra vale mais que o ouro e, na verdade, no que concerne a esta matéria, dos chamados três grandes, apenas o FC Porto faltou à palavra. Na minha perspetiva, trata-se de uma atitude que não honra um clube com tamanhos pergaminhos”, diz, com visível mágoa, José Henrique Pimpão.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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