AINDA O CÉLEBRE LUSITÂNIA – FC PORTO… POR REALIZAR
A palavra vale mais que o ouro
José Henrique Pimpão, sócio n.º 14 e antigo dirigente do
Lusitânia, afirma que “o FC Porto é o único dos chamados três grandes a faltar
à palavra”.
O recente encontro particular entre Praiense e Sporting,
realizado no estádio municipal da Praia da Vitória, que serviu de apresentação
dos encarnados aos sócios e adeptos, trouxe novamente à ordem do dia o célebre
Lusitânia – FC Porto que nunca se chegou a concretizar.
Recorde-se, a propósito, que o amistoso entre Praiense e
Sporting ficou acordado aquando do embate entre ambos na época finda, válido
para a Taça de Portugal. A antecipação da partida, atendendo aos compromissos
europeus dos lisboetas, esteve na base das negociações.
PROMESSA POR CUMPRIR
Como é público, o FC Porto deveria ter enfrentado o Lusitânia,
em Angra do Heroísmo, na época 1963/64, para as meias-finais da Taça de
Portugal. Porém, o grémio nortenho alegou dificuldades de transportes para
chegar à ilha Terceira.
Neste quadro foi estabelecido um acordo entre os clubes
intervenientes e a Federação Portuguesa de Futebol, em que o Lusitânia abdicava
da Taça de Portugal e, em troca, a turma da cidade Invicta comprometia-se a
efetuar uma peleja amigável, em Angra do Heroísmo, com os lusitanistas, a
expensas próprias, revertendo a receita para os açorianos.
Acontece que este compromisso nunca foi saldado, algo que ainda
hoje incomoda as hostes leoninas. Aliás, há quatro épocas, aquando de uma visita
do FC Porto a São Miguel, para defrontar o Santa Clara para o Troféu Pauleta,
uma delegação do Lusitânia, composta pelos dirigentes da então Comissão
Executiva que liderava o clube, Mário Santos e Ruben Silva, deslocou-se
propositadamente àquela ilha para reunir com os responsáveis do FC Porto, entre
os quais Antero Henrique, agora no multimilionário PSG.
Segundo conseguimos apurar, os dirigentes azuis-e-brancos
reconheceram o compromisso em causa e manifestaram vontade de o respeitar. A
verdade, no entanto, é que, desde essa data, o FC Porto nunca mais se
manifestou sobre o assunto.
O tema voltou, inclusive, a ser badalado em novembro de 2015, a
propósito da presença do FC Porto na Terceira para enfrentar o Angrense para a
Taça de Portugal. Lusitânia e FC Porto reuniram de novo, ficaram acertadas
algumas ideias, só que, na prática, tudo continuou igual.
ÚNICO GRANDE EM FALTA
Sócio n.º 14 e ex-dirigente da coletividade sediada na rua da
Sé, José Henrique Pimpão é a voz mais crítica em relação ao comportamento dos
azuis e brancos.
“Benfica, com o Angrense (numa situação muito similar à do
Lusitânia – FC Porto), e Sporting, com o Praiense, cumpriram os acordos
estabelecidos, algo que só os dignifica. O mesmo, infelizmente, não se pode
dizer do FC Porto em relação ao Lusitânia. A palavra vale mais que o ouro e, na
verdade, no que concerne a esta matéria, dos chamados três grandes, apenas o FC
Porto faltou à palavra. Na minha perspetiva, trata-se de uma atitude que não
honra um clube com tamanhos pergaminhos”, diz, com visível mágoa, José Henrique
Pimpão.

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