A
ESPERANÇA DE ONTEM E A ESPERANÇA DE HOJE
O burgo angrense sempre teve as suas
tradicionais artérias. Tradicionais em função da sua utilização, nomeadamente
no aspecto comercial, sempre considerado o mais importante para o efeito. Em
cada dessas mesmas artérias, havia uma referência, pela loja em si ou
inclusivamente pela forma de ser do seu proprietário.
Antigamente a cidade de Angra tinha uma maior participação dos seus habitantes,
porém o número foi decrescendo com o desaparecimento de lojas tradicionais e,
também, porque muita coisa mudou no dia-a-dia, acrescido ao fato das crises que
se foram instalando na sociedade. Creio que a mudança do escudo para o euro teve
essa enorme influência, pela negativa claro está.
A Esperança de ontem e a Esperança de hoje. Ontem, a Rua da Esperança tinha um
movimento digno de registo com o funcionamento diário do Teatro Angrense, o
restaurante Gaspar, a Leitaria Regional, o Café Royal, a loja do pai do Luís
Borba no que concerne à venda de adubos (se não estou em erro) e ainda o
depósito de vinhos do senhor Firmino Pancrácio Valadão, sempre procurado mercê
da qualidade dos seus vinhos produzidos nos Biscoitos. O depósito do senhor
Pancrácio, como era vulgarmente conhecido, tinha uma clientela de bons
apreciadores do seu vinho. No tempo da “bola e meia-bola”, medida que se tornou
famosa na própria ilha.
E hoje o que tem a Rua da Esperança? Para além dos escritórios da SATA, umas lojas
de fazenda, uma ourivesaria e a agência de viagens da Ana Maria Borba, não
esquecendo oTeatro Angrense, propriedade da Câmara Municipal de Angra do
Heroísmo (pelo menos era) e que ao dizem anda sempre às moscas.
Não é ser saudosista, mas aquela Rua da Esperança foi marcante em tempos idos.
Para além do depósito de vinhos do senhor Pancrácio, o Café Royal um dos
preferidos pelos americanos quando se deslocavam até Angra. E sabe-se o motivo
porque era muito procurado, uma vez que cheirava a perfume feminino, servindo
às mesas e não só.
Raras foram as vezes que entrei no depósito do senhor Pancrácio, mas lembro-me
perfeitamente das últimas duas em que tive como companheiros (por eles
convidado, sublinho) Rui do Vale e Emílio Ribeiro, duas pessoas por quem sempre
tive a maior consideração e apreço. Ao cabo, dois velhos companheiros da
escrita que aqui recordo

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