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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sábado, 5 de agosto de 2017

Do jornal A União - Carlos Alberto Alves


A ESPERANÇA DE ONTEM E A ESPERANÇA DE HOJE

O burgo angrense sempre teve as suas tradicionais artérias. Tradicionais em função da sua utilização, nomeadamente no aspecto comercial, sempre considerado o mais importante para o efeito. Em cada dessas mesmas artérias, havia uma referência, pela loja em si ou inclusivamente pela forma de ser do seu proprietário.

Antigamente a cidade de Angra tinha uma maior participação dos seus habitantes, porém o número foi decrescendo com o desaparecimento de lojas tradicionais e, também, porque muita coisa mudou no dia-a-dia, acrescido ao fato das crises que se foram instalando na sociedade. Creio que a mudança do escudo para o euro teve essa enorme influência, pela negativa claro está.
A Esperança de ontem e a Esperança de hoje. Ontem, a Rua da Esperança tinha um movimento digno de registo com o funcionamento diário do Teatro Angrense, o restaurante Gaspar, a Leitaria Regional, o Café Royal, a loja do pai do Luís Borba no que concerne à venda de adubos (se não estou em erro) e ainda o depósito de vinhos do senhor Firmino Pancrácio Valadão, sempre procurado mercê da qualidade dos seus vinhos produzidos nos Biscoitos. O depósito do senhor Pancrácio, como era vulgarmente conhecido, tinha uma clientela de bons apreciadores do seu vinho. No tempo da “bola e meia-bola”, medida que se tornou famosa na própria ilha.
E hoje o que tem a Rua da Esperança? Para além dos escritórios da SATA, umas lojas de fazenda, uma ourivesaria e a agência de viagens da Ana Maria Borba, não esquecendo oTeatro Angrense, propriedade da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (pelo menos era) e que ao dizem anda sempre às moscas. 
Não é ser saudosista, mas aquela Rua da Esperança foi marcante em tempos idos. Para além do depósito de vinhos do senhor Pancrácio, o Café Royal um dos preferidos pelos americanos quando se deslocavam até Angra. E sabe-se o motivo porque era muito procurado, uma vez que cheirava a perfume feminino, servindo às mesas e não só.
Raras foram as vezes que entrei no depósito do senhor Pancrácio, mas lembro-me perfeitamente das últimas duas em que tive como companheiros (por eles convidado, sublinho) Rui do Vale e Emílio Ribeiro, duas pessoas por quem sempre tive a maior consideração e apreço. Ao cabo, dois velhos companheiros da escrita que aqui recordo 
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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