TRÊS
JOTAS DA AMIZADE
Se fosse para escrever sobre todos os jotas que
conheço, naturalmente que uma edição deste matutino não chegaria para
encaixá-los na sua totalidade. Claro que, uma vez por outra, trazemos à estampa
figuras cujo nome se inicia com jota (João, Jorge, Juvenal, Jesus, e por aí
fora. De Joel, já falamos do barbeiro falecido nos Estados Unidos e do
escritor-jornalista Joel Neto). Hoje, um João, um Jorge e um José. Dois na ilha
Terceira, respectivamente em Angra e na Praia da Vitória, e outro na Figueira
da Foz.
JORGE MONJARDINO – Tenho sabido notícias deste companheiro e amigo através do
Carlos Borba que se encontra na Alemanha, como é sabido. Tive o privilégio de
acompanhar Jorge Monjardino na edição do ano de 2000 da Maratona de New York,
uma das mais famosas provas pedestres e que reúne, normalmente, mais de
quarenta mil participantes. Portugal é sempre uma presença assídua e Jorge
Monjardino já havia participado numa anterior edição. A tal presença em que,
numa das noites que antecederam a prova, se perdeu em New York, segundo um
relato que nos foi feito pela Maria João Ávila. Aliás, Maria João Ávila sempre
presente, não esquecendo também outros dois terceirenses emigrados para os
States, na circunstância Luís Henrique Pimpão Cordeiro e Paulo Henrique da
Fonseca, vulgarmente conhecido por “Pira”, alcunha que “herdou” do seu falecido
pai, Francisco da Fonseca, que fez parte de brilhantes equipas do Lusitânia.
Em 2002, na referida maratona de NY, Jorge Monjardino foi o melhor português,
fato que nos deixou altamente satisfeitos, visto que melhorou a sua
classificação paralelamente à sua anterior participação.
Hoje, pelo que fui informado, o Jorge Monjardino leva uma vida muito mais
virada para a família, ou seja, junto da esposa e filhos, mas, contudo, não
pode ser esquecido. Foram muitos anos de dedicação ao atletismo. Digamos que
dentro e fora de portas, dignificou a modalidade e a nossa terra em particular.
JOSÉ TOMÁS CUNHA – Ele nunca deixará de ser conhecido por professor José Tomás.
Conheci o José Tomás desde o tempo em que ele veio da Graciosa para a Terceira.
De Angra foi para a Praia da Vitória onde hoje ainda se mantém, com uma família
que construiu com muito amor e carinho. Um professor reconhecido pela sua
capacidade e, sobretudo, pela sua forma de agir dentro da escola, ou seja, na
relação professor-aluno. Depois, enveredou pelo sector empresarial, lançando a
Susiarte que, verdade se diga, passou a ser muito conhecida. E porque sempre
foi um homem que gostou do desporto, apoiou várias iniciativas através da
própria Susiarte, o que ainda hoje acontece, desta feita em relação ao Sport
Club Praiense, o seu clube do coração e onde se evidenciou, pela sua postura de
homem honesto e de ampla visão, na qualidade de presidente da direção.
Recentemente, José Tomás Cunha foi um dos professores aposentados que a
edilidade da Praia da Vitória distinguiu, fato que inclusive referimos no
facebook, a par de outros dois amigos que fizeram parte dessa mesma lista de
professores reconhecidos, casos de Manuel Pires Luís e Maria Alice da Costa
Silveira.
Para terminar, uma pertinência: José Tomás, para quando o teu regresso à
presidência do Praiense?
JOÃO MARIA – Dos jogadores que o Lusitânia recrutou no continente para a sua
campanha da segunda divisão, no tempo do treinador Mário Nunes e da segunda
presidência de José Gabriel Fragoso (o “tio patinhas”), veio da Figueira da Foz
um dos mais briosos profissionais, o nosso conhecido João Maria. Para além de
jogador de méritos firmados, João Maria revelou-se, humanamente falando, um
homem de enorme caráter, virtude que dirigentes e colegas sempre aquilataram.
Porque o mundo é pequeno (sempre o digo), quando em 2001 fui para Coimbra e no
ano seguinte (2002) para a Figueira da Foz, contei de novo com a amizade do
João Maria. Não foram poucas as vezes que me levou a sua casa para jantar.
Mais: também não foram poucas as vezes, a seu convite, que acompanhei os veteranos
da Naval 1º. de Maio. Depois dos jogos, a grande confraternização com
jantaradas a preceito.
Quando mudei de Coimbra para a Figueira da Foz, João Maria fez questão de me
ajudar com o seu jeep. Realmente, tenho que confessar que, para o efeito, foi
uma preciosa presença, seguindo aquela velha máxima de que os amigos são mais
amigos nos momentos em que deles necessitamos. E assim foi.
E foi com enorme prazer que, em 2004, havia recebido a notícia de que os
veteranos da Naval participariam num torneio para a categoria, torneio esse
englobado no programa das Sanjoaninas, através de um convite formulado pelo
Lusitânia. Claro que tudo isto teve a ver com o próprio reconhecimento ao João
Maria, dentro dos predicados que acima referimos.

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