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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Do jornalista João Rocha


Torturador de moscas,
aqui fica a confissão


Brigitte Bardot teve uma tirada célebre: “quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais”.
A bela BB, protagonista do filme “E Deus criou a mulher”, deu assim expressão máxima ao seu ativismo como defensora dos direitos animais e está no absoluto direito de pensar desta forma, se não chatear os outros que, em termos de tratamento, dão prioridade aos humanos.

É o meu caso. Guardo recordações saborosas de dois rafeiros que povoaram e animaram a meninice – Fineza, a minha primeira cadela (caninamente escrevendo…), e Leão, um tratado de inteligência e agilidade.
Mas, e esperando não ser fuzilado pelos mais acérrimos defensores dos animais, pequei milhentas vezes em ações de tortura, sobretudo no que a insetos diz respeito.

Confiando que o já assustador afastamento temporal do período da infância dita a prescrição do crime, recordo o verdadeiro massacre que dava às moscas.
Depois de as apanhar, cortava-lhes as asas e colocava-as, com requintes de malvadez absoluta, nas teias de aranha existentes no quintal.
Quando lá aparecia a aranha para o manjar oferecido, o meu prazer macabro atingia os níveis máximos, sem nunca manifestar a menor condolência pela indefesa mosca.
O cadastro ainda apresenta sentenças sumárias a baratas, lagartixas, mosquitos, melgas e formigas, sendo que, para contrabalançar, também poderia ter agido judicialmente contra um galo da Madeira que atacou o meu dedo indicador, essencial para as impressões digitais do Cartão do Cidadão e renovação do passaporte.
Ou seja, resumindo o maquiavélico percurso, confesso que fui danado para uma data de bichos - aí está uma palavra imutável perante as regras do respeito pela igualdade de género…
Nos dias de hoje, continuo a gostar dos animais em geral, mas, com toda a sinceridade do mundo, já nem me vejo como dono de um bicho-da-seda.
Rejeitaria um cão de água e aprendi a gostar de caracóis – acompanhados com cerveja.

A talho de foice, também confesso que Brigitte Bardot não precisa de gostar de mim para lhe apreciar os diversos talentos nos filmes cujo brilho da estrela francesa ofuscava o próprio sol.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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