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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Do jornalista João Rocha



Limpeza geral no Facebook

                                                      
                                                      


Muito mais do que o suicídio, a ameaça viral a animar o Facebook prende-se com o anúncio de uma limpeza geral de amigos virtuais.
Os utilizadores da rede social parecem vibrar com estas ações face ao número de gostos (polegar para cima) e comentários de incentivo após cada publicação do género.

Convenhamos que o Facebook confere um poder absoluto a cada cidadão com perfil (falso ou verdadeiro) registado.
O resto do mundo quer lá saber se o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, anda entretido a tentar colocar os cabelos em pé de Donald Trump através das ameaças de utilização de armas nucleares contra os EUA, situação que também configura uma limpeza geral e definitiva para quem ainda respira.
Em bom rigor, o conceito de limpeza geral também dá para tudo. Há uns bons anos, era utilizado, sobretudo aos sábados, pelas donas de casa.
Aplicava-se às lides domésticas e higiene pessoal, onde uma banheira de zinco era local de guerrilha a piolhos e lêndeas da criançada com a ajuda do sabão azul e branco.
O mundo virtual enquadra o conceito noutro registo de estilo.
A limpeza geral facebookiana destina-se à eliminação de amigos.
As causas surgem exemplarmente fundamentadas. Se houver um aniversário esquecido, a pena aplica-se.
Um comentário atrevidote ou a falta de um gosto/adoro/amo numa fotografia a virar copos também pode levar ao sumiço da lista de amizades.
Nada como sublinhar a nossa admiração por tudo e mais alguma coisa (até pode ser um falecimento porque o morto não levará a mal…) com a publicação de macaquinhos (emojis, em linguagem técnica) em estado de pura felicidade e corações aos pulos.
Ser eliminado por alguém no Facebook é, aliás, quase tão mortal como… morrer. É impossível sobreviver nestas circunstâncias.
Tenho um número superior a três mil amigalhaços na rede e deposito, a todos eles, uma dedicação extrema diariamente -          ou, no mínimo, dia sim, dia não.
É impensável perder uma amizade por via da limpeza geral. Representa uma desonra impossível de remediar ou limpar com uma esponja.
Prefiro, sem hesitar, uma bomba nuclear a cair no meu quintal.
Reportava o acontecimento em direto no “face”, mas ai de quem ignorasse comentar a publicação a começar pelo Kim Jong-un e Donald Trump.
Limpava-os de pronto e nem precisavam de saltar para a banheira de zinco.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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