Limpeza geral no Facebook
Muito mais do que o suicídio, a ameaça viral
a animar o Facebook prende-se com o anúncio de uma limpeza geral de amigos
virtuais.
Os utilizadores da rede social parecem vibrar
com estas ações face ao número de gostos (polegar para cima) e comentários de
incentivo após cada publicação do género.
Convenhamos que o Facebook confere um poder
absoluto a cada cidadão com perfil (falso ou verdadeiro) registado.
O resto do mundo quer lá saber se o líder da
Coreia do Norte, Kim Jong-un, anda entretido a tentar colocar os cabelos em pé
de Donald Trump através das ameaças de utilização de armas nucleares contra os
EUA, situação que também configura uma limpeza geral e definitiva para quem
ainda respira.
Em bom rigor, o conceito de limpeza geral
também dá para tudo. Há uns bons anos, era utilizado, sobretudo aos sábados,
pelas donas de casa.
Aplicava-se às lides domésticas e higiene
pessoal, onde uma banheira de zinco era local de guerrilha a piolhos e lêndeas da
criançada com a ajuda do sabão azul e branco.
O mundo virtual enquadra o conceito noutro
registo de estilo.
A limpeza geral facebookiana destina-se à eliminação de amigos.
As causas surgem exemplarmente fundamentadas.
Se houver um aniversário esquecido, a pena aplica-se.
Um comentário atrevidote ou a falta de um
gosto/adoro/amo numa fotografia a virar copos também pode levar ao sumiço da
lista de amizades.
Nada como sublinhar a nossa admiração por
tudo e mais alguma coisa (até pode ser um falecimento porque o morto não levará
a mal…) com a publicação de macaquinhos (emojis, em linguagem técnica) em
estado de pura felicidade e corações aos pulos.
Ser eliminado por alguém no Facebook é,
aliás, quase tão mortal como… morrer. É impossível sobreviver nestas
circunstâncias.
Tenho um número superior a três mil
amigalhaços na rede e deposito, a todos eles, uma dedicação extrema diariamente
- ou, no mínimo, dia sim, dia
não.
É impensável perder uma amizade por via da
limpeza geral. Representa uma desonra impossível de remediar ou limpar com uma
esponja.
Prefiro, sem hesitar, uma bomba nuclear a
cair no meu quintal.
Reportava o acontecimento em direto no
“face”, mas ai de quem ignorasse comentar a publicação a começar pelo Kim
Jong-un e Donald Trump.
Limpava-os de pronto e nem precisavam de
saltar para a banheira de zinco.


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