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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Do poeta escritor-Alexandre Oliveira


Meu Doce Mel    
Meu Doce Mel, minha rapariga marrom. Hoje ao ver outra bem parecida recordei você, do seu jeito de brincar, de querer a todos agradar. Corria que nem Corisco pelo quintal da nossa casa, ziguezagueando tal qual foguetão, se enfiando pelas nossas pernas como que algo estivesse adivinhando que iria ganhar.  Mel era para todos nós a coisa mais linda que tínhamos e
estava no auge.
Tipo aquela ninfeta que todos, sem distinção olham para ela e querem pelo menos beija-la. 
         Era muito bom tê-la ao nosso lado, enquanto a noite não chegava, nem a lua aparecia, nem ás estrelas em si desdenhavam algo que pudéssemos ouvir seu canto. O que tanto conversávamos era debaixo do pé de mangueira. Entretanto, dentre eu e o Bongo supostamente não restaria nada para mim, eu ficava de escanteio mesmo assim eu tocava a bola para frente enquanto, ele alegre ela ia pegar. Mel era uma graça de Cocker, de legitimo pedigree. Para muitos nela interessados, nem dava bola para vagabundos tocarem ao menos no fio de seus cabelos de mecha cacheados, era uma graça, onde todos certamente ao se aproximar se apaixonavam em alguns instantes. 
          Parecia que olhar para ela era proibido. Bongo de certo modo rosnava como quem dizia, ela é minha, ninguém tasca que eu vi primeiro. Ela sorria e dava o melhor de tudo de si, nisto dávamos para ela o que imaginávamos que ela queria tamanho era o dengo que tínhamos ao vê-la receber sem nada entender, nem mesmo saber o que, talvez por ser a mocinha da casa já com certa idade se sentia superior, e como bom reprodutor por sua vez não deixava nada passar tendo a Mel como a mais bela ninfeta na sua vida de prosador.
Duvide não nas noites de lua cheia meu cachorro é trovador e muito canta em seu sarau. Outras que dela se aproximava era por pura inveja querendo tirar um pouco de todo que por suposto, ele para ela doava. E assim, estas a chamavam de rapariga marrom, devido sua ousadia.  
          E numa prosa afiada ela ficava eriçada como aquele que de repente provou e gostou do caldo que preparou dentre uma nuvem e outra.  Felizardo, foi Bongo que por ser seu único namorado fez com que tudo acontecesse. Provou de tudo num súbito aonde veio designar o motivo de sua morte numa tarde de sexta feira de alguma semana de muito sol, e pouca chuva. Enfim, a realidade é que o que é bom para mim, nem sempre é para você se, alegria de pobre dura pouco, e acontece tão rápido o ensejo que culmina com sua má sorte. Bongo meu querido trapalhão, vira lata, não conseguiu salvar sua rapariga. 

        E nisto, sentindo toda dor do mundo, ficou sozinho depois de muito tempo de convivência. A gente agora chora por causa da Mel. Uma cadela da raça Coker de pedigree legitimo, que sem saber inalou algum veneno pelas alamedas da cidade. Assim, também acontece dentre a gente, onde eu vejo que muitos jovens abruptamente saem por aí se iludindo com os detalhes das chitas, e inalam sem querer pesadas drogas. 
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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