...é certo, se isso lhe serve de
consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as
consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as
prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a
mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os
maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de
uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro,
incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder
comprová-los, para congratular-nos, ou pedir perdão, aliás, há quem diga que
isso é que é a imortalidade que tanto se fala....quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Do Prémio Nobel da Literatura - José Saramago
Sobre o autor
Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...
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