
Eu tinha dito que iria propor tirar a palavra utopia do dicionário. Mas, enfim, não vou a tanto. Deixe ela lá estar, porque está quieta. O que eu queria dizer, é que há uma outra questão que tem de ser urgentemente revista. Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa: a democracia. Ela está aí,
como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem já não se espera milagres, mas que está aí como referência. E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia seqüestrada, condicionada, amputada.
O poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera política, a
tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de que talvez venha a se
gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são tomadas em uma outra grande
esfera e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras
internacionais, os FMIs, a Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais.
Nenhum desses organismos é democrático. E, portanto, como falar em democracia
se aqueles que efetivamente governam o mundo não são eleitos democraticamente
pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações?
Onde está então a democracia?
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