Piadas, querelas e ofensas desnecessárias
Antigamente, nos cafés rotulados de “segundas sedes” dos clubes, muito se
discutia o futebol. Era, na altura, difícil transbordar raivas, azias, frases
de humor e por aí fora. Estou-me cingindo a Portugal e obviamente ao tempo em
que imperava a ditadura salazarista com
pides por todos os lados com os ouvidos
à escuta.
Hoje, porém, o panorama é bem diferente. Nas tertúlias de ruas já se pode,
após a revolução do 25 de abril e a consequente democracia (tem muito que se
lhe diga, é certo) falar alto, criticar os árbitros na via pública, idem
treinadores, idem jogadores que não caem no goto das massas associativas e que
são quase sempre os sacrificados, ora com palavras dirigidas ora com olhares de
desprezo. Enfim, as vítimas dos mais acirrados “doentes da bola” que nada
perdoam, naturalmente quando o seu time está na mó de baixo, por exemplo.
Com o surgimento do facebook, tem-se constatado picardias entre adeptos dos
mais prestigiados clubes, citando como paradigma Benfica, Porto e Sporting,
maior incidência, no atual momento, entre prosélitos do Benfica e do Sporting,
sobretudo quando a “bomba rebentou”, ou seja, a mudança do treinador Jorge
Jesus do Benfica para o Sporting, com duas versões de “mal amado”. Primeiro
quando estava no Benfica visado pelos sportinguistas com frases irónicas.
Segundo, pelos benfiquistas que o atacam por todo o lado e até inventam cenas
que, segundo o próprio JJ, não aconteceram.
Bom. A discussão pública via facebook é útil quando construtiva o que
raramente tem acontecido. E quando surge são chanceladas por pessoas idóneas e
com reconhecido “ex professo”- Dr. Carlos Janela, Rui Almeida, Luciano Melo,
Joel Neto e outros dessa estirpe. Ultimamente neste esgrimir Benfica – Sporting
e vice-versa têm surgido disparates de bradar aos céus, muitos deles que devem
merecer reflexão por parte de quem os coloca na “estrada facebokiana”. Piadas,
querelas e ofensas desnecessárias. O pior mesmo são as ofensas. E como disse
anteriormente, o debate equilibrado sempre nos traz algo de positivo. Mas nesse
sentido muito pouco. A maioria das piadas “descabeladas” e as tais ofensas a
merecerem uma forte censura de quem efetivamente gosta do futebol a ser
discutido com lisura, ao cabo com avultados nacos de positivismo. De resto, é
por demais sabido que escrever com ironia não está ao alcance de todos. Não é
assim tão fácil. O que se pede em função de tudo isto, é que haja bom senso.
Que venham criticas construtivas. Nada de piadas sem nexo e ofensas que por si
só definem o caráter de quem as profere.

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