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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Luís Bretão - Um terceirense de causas - Depoimentos

Ilha Terceira

Alvarino Pinheiro

Conheci o Luís Bretão no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo. Quando para lá entrei, no 3º ano, ele já andava pelo Curso Complementar.
Apesar dos nossos cinco anos de diferença, fácil foi perceber que aquele “Veterano” franzino, ao contrário de alguns mais “espigados e impertinentes”, era um bom amigo e protector dos mais novos. Era certamente, já na altura, pelo seu bom feitio e pelo empenho que colocava nas actividades estudantis tradicionais, culturais e de lazer, um dos veteranos mais populares e carismáticos do Liceu e da Juventude Angrense.

Como eu frequentava as “Explicações” de Matemática do Senhor Guilherme Rego, seu cunhado, ali junto à Sé, muitas vezes me cruzava com o Luís que no afã das suas actividades associativas, tirava alguns tempo para falarmos das últimas em relação ao seu Lusitânia e ao meu Praiense, no futebol e no basquetebol, caracterizando-se pelas suas análises genuínas e repletas de fair play.
Foi este Luís Bretão entusiasta, devoto, empenhado, sedente de servir e de espalhar o progresso desportivo e cultural pela nossa terra que vim encontrar quando dava os meus primeiros passos na participação política, em 1975, e o Luís abraçava a Delegação de Desportos, implementando, com os seus colaboradores, uma autêntica “revolução” no sector, com o modo e âmbito da sua actuação. Foi um período aureo do fomento do desporto na nossa Ilha. Mesmo quando não podia resolver as questões, dada a respectiva magnitude, deixava sempre uma palavra amiga e de incentivo aos promotores.
Lembro-me de estar numa acção politico-partidária, numa das nossas Freguesias, e ser abordado por um grupo de jovens que pretendia apoio financeiro para arrancar com a construção de uma importante infraestrutura desportiva, pois que o Delegado dos Desportos, Sr Luís Bretão, já tinha garantido a sua parte, só faltavam os restantes 95% do financiamento … e assim, não lhes faltava energia para pugnarem pela sua justa aspiração.
Mas foi no aeroporto das Lajes, nas “esperas” das muitas centenas de viagens que por lá fiz, no desempenho da minha actividade politica, que melhor conheci o Luís Bretão.
Apesar de eu ser de Direita e ele de Esquerda, a nossa Ilha Terceira, no contexto dos Açores, foi sempre o nosso denominador comum. Muitos incentivos dele recebi. Muitas sugestões para abordagens no Parlamento ele me deu. Muitos lamentos partilhámos.
A salvaguarda do bem comum, numa Terceira desenvolvidas e nuns Açores equilibrados, era ponto de partida para interessantes e oportunas análises. Tal a convergência de pontos de vista, que cheguei mesmo a desafia-lo para integrar, comigo, na qualidade de independente, uma lista do CDS/PP ao Parlamento Regional, na era do Dr. Mota Amaral. Se o tivesse convencido, restar-me-ia a tarefa de também convencer os dirigentes do meu Partido.
Os anos passaram e os receios que eu e o Luís Bretão partilhávamos sobre o futuro da nossa Ilha Terceira e dos Açores não se dissiparam, mas antes se adensaram e até os piores cenários se confirmaram.
A élite política e económica da Ilha integrou-se e entregou-se. Ao cabo de 40 anos de Democracia e Autonomia, a Terceira apresenta-se economicamente destroçada e politicamente dominada....mas, felizmente, ainda existem bons Terceirenses como o meu bom amigo Luís Bretão.

Alvarino Pinheiro- Praia da Vitória, Março de 2014


Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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