Ilha
Terceira
Alvarino
Pinheiro
Conheci o Luís Bretão no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo. Quando
para lá entrei, no 3º ano, ele já andava pelo Curso Complementar.
Apesar dos nossos cinco anos de diferença, fácil foi perceber que aquele
“Veterano” franzino, ao contrário de alguns mais “espigados e impertinentes”,
era um bom amigo e protector dos mais novos. Era certamente, já na altura, pelo
seu bom feitio e pelo empenho que colocava nas actividades estudantis
tradicionais, culturais e de lazer, um dos veteranos mais populares e
carismáticos do Liceu e da Juventude Angrense.
Como eu frequentava as “Explicações” de Matemática do Senhor Guilherme
Rego, seu cunhado, ali junto à Sé, muitas vezes me cruzava com o Luís que no
afã das suas actividades associativas, tirava alguns tempo para falarmos das
últimas em relação ao seu Lusitânia e ao meu Praiense, no futebol e no
basquetebol, caracterizando-se pelas suas análises genuínas e repletas de fair
play.
Foi este Luís Bretão entusiasta, devoto, empenhado, sedente de servir e
de espalhar o progresso desportivo e cultural pela nossa terra que vim
encontrar quando dava os meus primeiros passos na participação política, em
1975, e o Luís abraçava a Delegação de Desportos, implementando, com os seus
colaboradores, uma autêntica “revolução” no sector, com o modo e âmbito da sua
actuação. Foi um período aureo do fomento do desporto na nossa Ilha. Mesmo
quando não podia resolver as questões, dada a respectiva magnitude, deixava
sempre uma palavra amiga e de incentivo aos promotores.
Lembro-me de estar numa acção politico-partidária, numa das nossas
Freguesias, e ser abordado por um grupo de jovens que pretendia apoio
financeiro para arrancar com a construção de uma importante infraestrutura
desportiva, pois que o Delegado dos Desportos, Sr Luís Bretão, já tinha
garantido a sua parte, só faltavam os restantes 95% do financiamento … e assim,
não lhes faltava energia para pugnarem pela sua justa aspiração.
Mas foi no aeroporto das Lajes, nas “esperas” das muitas centenas de
viagens que por lá fiz, no desempenho da minha actividade politica, que melhor
conheci o Luís Bretão.
Apesar de eu ser de Direita e ele de Esquerda, a nossa Ilha Terceira, no
contexto dos Açores, foi sempre o nosso denominador comum. Muitos incentivos
dele recebi. Muitas sugestões para abordagens no Parlamento ele me deu. Muitos
lamentos partilhámos.
A salvaguarda do bem comum, numa Terceira desenvolvidas e nuns Açores
equilibrados, era ponto de partida para interessantes e oportunas análises. Tal
a convergência de pontos de vista, que cheguei mesmo a desafia-lo para integrar,
comigo, na qualidade de independente, uma lista do CDS/PP ao Parlamento
Regional, na era do Dr. Mota Amaral. Se o tivesse convencido, restar-me-ia a
tarefa de também convencer os dirigentes do meu Partido.
Os anos passaram e os receios que eu e o Luís Bretão partilhávamos sobre
o futuro da nossa Ilha Terceira e dos Açores não se dissiparam, mas antes se
adensaram e até os piores cenários se confirmaram.
A élite política e económica da Ilha integrou-se e entregou-se. Ao cabo
de 40 anos de Democracia e Autonomia, a Terceira apresenta-se economicamente
destroçada e politicamente dominada....mas, felizmente, ainda existem bons
Terceirenses como o meu bom amigo Luís Bretão.
Alvarino Pinheiro- Praia da Vitória, Março
de 2014

Sem comentários:
Enviar um comentário