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sábado, 20 de janeiro de 2018

Não esquecer um dos meus ídolos - Frank Sinatra


Lana Turner, primeira
de uma lista de vinte
Hollywood, 1943. Aquele magrinho de nariz empinado chegou aos estúdios da RKO, depois da revolução do Teatro Paramount, para filmar Higher and Higher (A Lua ao seu Alcance). Já havia feito Las Vegas Nights (Noites de Las Vegas) em 41, Ship Ahoy(Ó de bordo), em 42, e Reveille with Beverley (Alvorada com Beverley) no próprio ano de 43. Mas naqueles filmes ele apenas cantava com a orquestra de Tommy Dorsey. Agora não: Sinatra ia estrear como ator. Em Higher…, ele faz o papel de Frank, um rico pretendente à mão de uma garota supostamente herdeira de uma fortuna.
E o que faz Sinatra, na iminência do novo desafio? Apanha um papel, lista as 20 atrizes mais atraentes de Hollywood, prega–o em seu camarim e anuncia:
– Vou faturar uma por uma.

Primeiro nome a receber um X na frente dele: Lana Turner. Antes do final das filmagens, todos os nomes estavam ticados.
Nancy sempre soube, a partir da chegada à Costa Oeste, que o marido tinha casos. E sempre os tolerou. Sabia que tudo iria bem desde que ela não interferisse nas vontades e nos caprichos dele. Até o início da carreira solo de Frank, ela o ajudava nas despesas, usando parte de seu salário de secretária para pagar aluguel e supermercado e deixando o resto para que ele gastasse com suas roupas elegantes. Até então, foram felizes. Mas em 1946, no pico do sucesso – Frank chegou a fazer 45 shows em uma semana – o esforço e a tensão começaram a pulverizar seu trabalho. Já há algum tempo interferiam no casamento.
Em uma daquelas noites, em uma festa de um nightclub em Palm Springs, Sinatra tirou para dançar uma mulher que viera acompanhada do milionário Howard Hughes. Era Ava Gardner.
No dia 7 de outubro anunciou–se oficialmente que Nancy e Frank estavam separados, e isso não foi propriamente surpresa, pelo pouco tempo que ele dedicava à mulher e aos filhos Nancy e Frank Jr. Uma separação que não durou muito: o esforço de amigos provocou a reconciliação, e os dois ainda tiveram a filha Cristine, nascida em julho de 48. A separação definitiva viria em dezembro de 49. Quando Nancy entrou com o pedido de divórcio, o que se comentava, em Hollywood, é que ela poderia agüentar qualquer uma, menos Ava Gardner.
É desta época um carinhoso puxão de orelhas enviado a Frank, em forma de telegrama, por, nada mais, nada menos, que don Moretti, o mafioso que teria “convencido” Tommy Dorsey a cancelar aquele famoso contrato:
“Querido Frank. Estou muito surpreendido pelo que tenho lido na imprensa a respeito de você e sua querida esposa. Lembre–se de que você tem uma esposa decente e filhos. Você deveria estar muito feliz. Lembranças a todos. Willie Moore.”
Mas o caso com Ava era sério e se tornou barulhento. Ela tinha uma carreira e não conseguia dedicar a Frank o tempo que ele exigia. Vinham então as brigas, tão públicas quanto as reconciliações que acabavam acontecendo. Só que isso prejudicava os dois: o público de então não estava preparado para ver um homem ainda casado, mesmo que ele fosse Frank Sinatra, correndo atrás de uma outra mulher, mesmo sendo ela Ava Gardner. Em uma das brigas, Ava recorreu a seu ex–marido, Artie Shaw. Quando Sinatra soube disso, entrou em parafuso. Primeiro tentou localizar os dois. Quando não conseguiu, foi para um hotel e – dizem – tentou o suicídio.
A vontade de matar-se, entretanto, parece que não era muito grande: tudo o que ele conseguiu foi dar dois tiros em um colchão. Com o ruído dos tiros, a polícia foi chamada. Quando chegaram, os policiais não tinham nada para ver – o colchão fora trocado.

O divórcio de Nancy, e a queda, vieram juntos. Os filmes de Frank estavam sendo cada vez mais criticados, e a venda de seus discos despencou em 1948 e 49: parecia bastante claro que a carreira como cantor chegava ao fim (diziam que as garotas que urravam por ele nos shows, as Swooners, haviam crescido). Surgiu ainda uma acusação, sem provas, de ligação com comunistas, feita pelo Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas. Então veio o nocaute: Frank Sinatra acusado de envolvimento com a Máfia.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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