Lana Turner, primeira
de uma lista de vinte
Hollywood, 1943.
Aquele magrinho de nariz empinado chegou aos estúdios da RKO, depois da
revolução do Teatro Paramount, para filmar Higher and Higher (A
Lua ao seu Alcance). Já havia feito Las Vegas Nights (Noites
de Las Vegas) em 41, Ship Ahoy(Ó de bordo), em 42,
e Reveille with Beverley (Alvorada com Beverley) no
próprio ano de 43. Mas naqueles filmes ele apenas cantava com a orquestra de
Tommy Dorsey. Agora não: Sinatra ia estrear como ator. Em Higher…,
ele faz o papel de Frank, um rico pretendente à mão de uma garota supostamente
herdeira de uma fortuna.
E o que faz
Sinatra, na iminência do novo desafio? Apanha um papel, lista as 20 atrizes
mais atraentes de Hollywood, prega–o em seu camarim e anuncia:
– Vou faturar uma
por uma.
Primeiro nome a
receber um X na frente dele: Lana Turner. Antes do final das filmagens, todos
os nomes estavam ticados.
Nancy sempre soube,
a partir da chegada à Costa Oeste, que o marido tinha casos. E sempre os
tolerou. Sabia que tudo iria bem desde que ela não interferisse nas vontades e
nos caprichos dele. Até o início da carreira solo de Frank, ela o ajudava nas
despesas, usando parte de seu salário de secretária para pagar aluguel e
supermercado e deixando o resto para que ele gastasse com suas roupas
elegantes. Até então, foram felizes. Mas em 1946, no pico do sucesso – Frank chegou
a fazer 45 shows em uma semana – o esforço e a tensão começaram a pulverizar
seu trabalho. Já há algum tempo interferiam no casamento.
Em uma daquelas
noites, em uma festa de um nightclub em Palm Springs, Sinatra tirou para dançar
uma mulher que viera acompanhada do milionário Howard Hughes. Era Ava Gardner.
No dia 7 de outubro
anunciou–se oficialmente que Nancy e Frank estavam separados, e isso não foi
propriamente surpresa, pelo pouco tempo que ele dedicava à mulher e aos filhos
Nancy e Frank Jr. Uma separação que não durou muito: o esforço de amigos
provocou a reconciliação, e os dois ainda tiveram a filha Cristine, nascida em
julho de 48. A separação definitiva viria em dezembro de 49. Quando Nancy
entrou com o pedido de divórcio, o que se comentava, em Hollywood, é que ela
poderia agüentar qualquer uma, menos Ava Gardner.
É desta época um
carinhoso puxão de orelhas enviado a Frank, em forma de telegrama, por, nada
mais, nada menos, que don Moretti, o mafioso que teria “convencido” Tommy
Dorsey a cancelar aquele famoso contrato:
“Querido Frank.
Estou muito surpreendido pelo que tenho lido na imprensa a respeito de você e
sua querida esposa. Lembre–se de que você tem uma esposa decente e filhos. Você
deveria estar muito feliz. Lembranças a todos. Willie Moore.”
Mas o caso com Ava
era sério e se tornou barulhento. Ela tinha uma carreira e não conseguia
dedicar a Frank o tempo que ele exigia. Vinham então as brigas, tão públicas
quanto as reconciliações que acabavam acontecendo. Só que isso prejudicava os
dois: o público de então não estava preparado para ver um homem ainda casado,
mesmo que ele fosse Frank Sinatra, correndo atrás de uma outra mulher, mesmo
sendo ela Ava Gardner. Em uma das brigas, Ava recorreu a seu ex–marido, Artie
Shaw. Quando Sinatra soube disso, entrou em parafuso. Primeiro tentou localizar
os dois. Quando não conseguiu, foi para um hotel e – dizem – tentou o suicídio.
A vontade de
matar-se, entretanto, parece que não era muito grande: tudo o que ele conseguiu
foi dar dois tiros em um colchão. Com o ruído dos tiros, a polícia foi chamada.
Quando chegaram, os policiais não tinham nada para ver – o colchão fora
trocado.
O divórcio de
Nancy, e a queda, vieram juntos. Os filmes de Frank estavam sendo cada vez mais
criticados, e a venda de seus discos despencou em 1948 e 49: parecia bastante
claro que a carreira como cantor chegava ao fim (diziam que as garotas que
urravam por ele nos shows, as Swooners, haviam crescido). Surgiu ainda uma
acusação, sem provas, de ligação com comunistas, feita pelo Comitê de
Investigação de Atividades Antiamericanas. Então veio o nocaute: Frank Sinatra
acusado de envolvimento com a Máfia.

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