Ferreira Morena era seguido por um ror de leitores, sobretudo nas ilhas dos Açores nos jornais em que inseria os seus apreciados escritos.
Deixamos aqui dois testemunhos. João Bendito emigrado para a Califórnia e Elvino dos Reis Lourenço que, no jornal A União, no tempo do chumbo e não só, compunha os escritos de Ferreira Moreno.
JOÃO BENDITO
FERREIRA MORENO,
JORNALISTA-HISTORIADOR
Ainda nem sequer eu
pensava que ia ser imigrante na Califórnia e já conhecia Ferreira Moreno.
Lia, assiduamente, as
crónicas que ele publicava em A União. Fiquei a conhecer, geográfica e
socialmente, a terra onde acabei por vir viver o resto da minha vida.
Aqui, no Estado
Dourado, continuei a ser fiel leitor do Padre José Ferreira. Vivíamos a poucas
milhas de distância um do outro mas nunca nos conhecemos pessoalmente. Apenas o
encontrei uma vez, à saída de um estabelecimento comercial português, onde fui
comprar massa sovada e o Sr. Padre Ferreira ia entregar alguns exemplares do
jornal “Tribuna Portuguesa”, para venda. Cumprimentou-me e falou-me como se
fossemos velhos amigos.
Era assim, segundo me
dizia quem bem o conhecia, o Sr. Padre. Não só por ser sacerdote mas por ser um
Homem educado, popular e culto.
Muito aprendi com as
suas crónicas, cheias de testemunhos e ensinamentos. Preocupava-o a comunidade
imigrante e foi arauto informado e sincero dos seus anseios e dificuldades. Ao
mesmo tempo, teve sempre o condão de passar aos seus inúmeros leitores, tudo o
que sabia – e não era pouco – sobre a nossa História, sobre a cultura popular
açoriana e sobre as vivências dos seus irmãos imigrantes.
Pena que não tenha
reunido em livro muitos dos seus apontamentos, dispersos que estão por vários
jornais da comunidade e dos Açores.
Uma lacuna que,
talvez, ainda possa ser remediada.
Ferreira Moreno, o
Padre José Ferreira, merecia isso e muito mais.
Lincoln, Califórnia
João Bendito
ELVINO DOS REIS LOURENÇO
Voz dos emigrantes
Pediu-me o Carlos Alberto Alves para que desse o meu testemunho sobre
Ferreira Moreno e dos seus escritos no jornal “A União”.
Escrever e falar do Padre Ferreira Moreno leva-me a um passado saudoso,
um tempo que recordo com alguma nostalgia.
Estou à beira de completar sessenta anos de idade e trabalho na União
Gráfica Angrense, proprietária do extinto jornal “A União” de Angra do
Heroísmo, desde os meus onze anos de idade, era um “pequeno” saído da escola
após completar a 4ª. classe.
Desde sempre me habituei com imenso gosto a seguir os escritos do Padre
Ferreira Moreno, escrevia dos emigrantes para os açorianos e da América para os
Açores.
Apontava nos seus escritos a “alegria” do que é ser emigrante… ao mesmo
tempo marcava o que é ser cidadão em terras de grande dimensão económica.
Dos originais que constavam na “pasta” da oficina para composição e
paginação, escolhia sempre os do Padre Ferreira, pois eram muito “limpinhos” e
feitos à máquina, e para mim gostoso poder usufruir da sua escrita, um bálsamo
para a minha evolução como ser humano. Ele e muitos outros, com a sua palavra,
foram responsáveis para que eu pudesse, ainda hoje, ser portador de alguns
conhecimentos da língua pátria.
Conheci assim desta forma o Ferreira Moreno, como tive o privilégio de
cumprimenta-loaquando de visitas que fez ao jornal, e é por tudo isto que fazem
falta os seus escritos e a extinta mais que centenária “folha” angrense… o
Jornal “A União”.
ELVINO LOURENÇO



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