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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Os "monstros sagrados" nunca serão esquecidos - Homenagem póstuma ao padre Ferreira Moreno


Ferreira Morena era seguido por um ror de leitores, sobretudo nas ilhas dos Açores  nos jornais em que inseria os seus apreciados escritos.
Deixamos aqui dois testemunhos. João Bendito emigrado para a Califórnia e Elvino dos Reis Lourenço que, no jornal A União, no tempo do chumbo e não só, compunha os escritos de Ferreira Moreno.

                                                JOÃO BENDITO



FERREIRA MORENO,
JORNALISTA-HISTORIADOR

Ainda nem sequer eu pensava que ia ser imigrante na Califórnia e já conhecia Ferreira Moreno.
Lia, assiduamente, as crónicas que ele publicava em A União. Fiquei a conhecer, geográfica e socialmente, a terra onde acabei por vir viver o resto da minha vida.
Aqui, no Estado Dourado, continuei a ser fiel leitor do Padre José Ferreira. Vivíamos a poucas milhas de distância um do outro mas nunca nos conhecemos pessoalmente. Apenas o encontrei uma vez, à saída de um estabelecimento comercial português, onde fui comprar massa sovada e o Sr. Padre Ferreira ia entregar alguns exemplares do jornal “Tribuna Portuguesa”, para venda. Cumprimentou-me e falou-me como se fossemos velhos amigos.
Era assim, segundo me dizia quem bem o conhecia, o Sr. Padre. Não só por ser sacerdote mas por ser um Homem educado, popular e culto.
Muito aprendi com as suas crónicas, cheias de testemunhos e ensinamentos. Preocupava-o a comunidade imigrante e foi arauto informado e sincero dos seus anseios e dificuldades. Ao mesmo tempo, teve sempre o condão de passar aos seus inúmeros leitores, tudo o que sabia – e não era pouco – sobre a nossa História, sobre a cultura popular açoriana e sobre as vivências dos seus irmãos imigrantes.
Pena que não tenha reunido em livro muitos dos seus apontamentos, dispersos que estão por vários jornais da comunidade e dos Açores.
Uma lacuna que, talvez, ainda possa ser remediada.
Ferreira Moreno, o Padre José Ferreira, merecia isso e muito mais.

Lincoln, Califórnia
João Bendito 

                

    ELVINO DOS REIS LOURENÇO   


Voz dos emigrantes

Pediu-me o Carlos Alberto Alves para que desse o meu testemunho sobre Ferreira Moreno e dos seus escritos no jornal “A União”.
Escrever e falar do Padre Ferreira Moreno leva-me a um passado saudoso, um tempo que recordo com alguma nostalgia.
Estou à beira de completar sessenta anos de idade e trabalho na União Gráfica Angrense, proprietária do extinto jornal “A União” de Angra do Heroísmo, desde os meus onze anos de idade, era um “pequeno” saído da escola após completar a 4ª. classe.
Desde sempre me habituei com imenso gosto a seguir os escritos do Padre Ferreira Moreno, escrevia dos emigrantes para os açorianos e da América para os Açores.
Apontava nos seus escritos a “alegria” do que é ser emigrante… ao mesmo tempo marcava o que é ser cidadão em terras de grande dimensão económica.
Dos originais que constavam na “pasta” da oficina para composição e paginação, escolhia sempre os do Padre Ferreira, pois eram muito “limpinhos” e feitos à máquina, e para mim gostoso poder usufruir da sua escrita, um bálsamo para a minha evolução como ser humano. Ele e muitos outros, com a sua palavra, foram responsáveis para que eu pudesse, ainda hoje, ser portador de alguns conhecimentos da língua pátria.
Conheci assim desta forma o Ferreira Moreno, como tive o privilégio de cumprimenta-loaquando de visitas que fez ao jornal, e é por tudo isto que fazem falta os seus escritos e a extinta mais que centenária “folha” angrense… o Jornal “A União”.

ELVINO LOURENÇO

                                                            
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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