Os meninos não deixaram de
brincar
Veio o sol, há mais pneus e
corridas
As poucas lágrimas enxugam
depressa.
Eles não sabem nem este é tempo de saber
Os pais, os tios e os avós podem descobrir
Por quem os sinos dobram nesta sexta-feira.
Morre o corpo, fica a alma
e toda a sua paz
Na sementeira de esperança
que não se perde
Há um segundo pai todos os
dias nessas horas.
A minha filha Marta e o meu neto António
São um mundo novo ligado pela sua ternura
Tantos anos depois tudo isso está e continua.
Nem lágrimas
intercontinentais nem nada
Do lado do espanto, só a
dôr, só a revolta
E os meninos não deixaram
de brincar.
José do Carmo Francisco
Poema para Os corvos de
Francisco José Viegas
Meu
neto Tomás nega-me (Stop!) de modo
firme
A
possibilidade de brincar com os corvos do Paragon
Tal
como antes fizera junto à casa de Charles Gounod
Os
dois a caminho do grande planalto de Blackheath.
Não admira que ele não conheça o poema «Os
corvos»
Tirado de um livro de 2001 intitulado
«Metade da vida»
Que o próprio autor definiu como um luxo e
uma vaidade
Quando meu neto Tomás nem sequer ainda
tinha nascido.
De
certeza Tomás não conhece o meu poema já antigo
Chama-se
esse poema «O corvo de Papillons Walk»
Sobre
o corvo que comia migalhas de pão dos meninos
De
manhã a caminho da Escola Primária de Brooklands .
Somos corvos, nada mais do que corvos
ansiosos
Por uma migalha de pão, de ternura ou de
atenção
Nós que sabemos serem as palavras tão
frágeis
Como as pétalas mais pisadas depois de um
baile.
Mas
isso era ir longe, para o lado de Maiakovski
E
eu celebro o encontro com um poema curto
«Sobre
o verde, um silêncio devastador.
Ouve-se
em toda a ilha o seu aviso.»
José do Carmo
Francisco

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