O COMEÇO
Stephen Hawking se queixava que a pergunta que mais ouvia sobre o começo
do Universo era o que havia antes do “Big Bang” que dera origem a tudo. Do nada
se criara toda a matéria, segundo a teoria do “Big Bang”. Mas o que havia antes
da grande explosão? Se o nada é a ausência de tudo, também é a ausência do
próprio nada? Hawking explicava que havia matéria antes da matéria, o
“continuum” preconizado por Einstein, fechado em si mesmo como
um 8 deitado, e
do qual nada escapava, nem tempo. E que não tinha nada a ver com o Nada do
pre-Big Bang e o começo do tempo como nós o conhecemos, portanto não deveria
nos interessar. Hawking recorria a um exemplo para responder à pergunta
reincidente sobre o começo do mundo: quem chega ao Polo Sul com a intenção de
ir sempre para o Sul chegará a um ponto zero após o qual não há mais Sul.
Deve-se pensar no nada antes do “Big Bang” como o Sul desaparecido, apenas.
“Bereshith” é a primeira palavra da
primeira frase do primeiro capitulo da Biblia e quer dizer, em hebraico, “no
começo”. No começo criou Deus os céus e a terra. É uma palavra tão cheia de
significados que, em hebraico, dá nome a todo o Gêneses. Na Bíblia, ela vem
precedida de nada, apenas do grande silencio antes da explosão inaugural.
Hawking nos instrui a ignorar o nada do Einstein e o silencio pre-criação, e
toda a ficção bíblica, mas “bereshith” nos arrebata com sua força mística. O
“Big Bang” como uma encenação espetacular da vontade de Deus, ou o “bereshith”
como uma interpretação poética do “Big Bang”, por que não? Criacionistas e
evolucionistas compartilhariam o mesmo começo.
Mas a Bíblia tem outro começo. Evangelho de São João. Novo Testamento.
“No começo era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.
Interpretações à vontade. Talvez a criação como fruto de um intelecto divino –
“bereshith” despido do misticismo - sobre a qual Hawking e Deus poderiam
conversar numa boa.

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