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quarta-feira, 20 de junho de 2018

De Osvaldo Cabral - Jornalista e diretor do Correio dos Açores



Marcelo 1 - Vasco 0

Se a visita de Marcelo trouxe alguma coisa de positivo, foi o golo certeiro que enfiou na baliza do poder regional, ao elogiar a dinâmica dos parceiros sociais e a “democracia participativa”.

O parlamento tratou logo de publicitar na sua página virtual a aprovação em comissão da proposta sobre o novo Conselho Económico e Social, guardada nas gavetas da Assembleia há quase um ano, e, dias depois, o Governo Regional apresentou a sua proposta para aprovação em plenário, sem a querer fundir com a do PSD, que era praticamente igual.
Vejam só: um ano para decidirem uma coisa tão simples, que democratiza mais a participação das representações da sociedade, mas que sempre foi negada pela governação, pois a primeira proposta já vinha desde 2012!
Se isto é assim, imaginem o que não será a tão propalada reforma da Autonomia.
Marcelo tem que vir cá mais vezes.

NAVEGAR À BOLINA - O planeamento de investimentos na nossa região anda numa autêntica roda livre nos últimos anos.

Nunca se viu tanto falhanço e tamanho desacerto na execução dos Planos e Orçamentos, nem se percebe para que servem estes documentos, porque depois não têm a devida execução na prática.
Ficamos agora a saber que no ano passado a execução do Plano ficou-se pelos 72,3%, valor que representa um mau planeamento, com a agravante de estarmos perante uma continuada subida de receitas fiscais.
O padrão é muito semelhante nos últimos seis anos: em 2012 ficou-se por uns pífios 65,8%, em 2013 levantou a cabeça e chegou aos 85,3%, em 2014 baixou para 73,3%, em 2015 aligeirou para os 75%, em 2016 volta a cair para os 70% e agora ufanam-se com os míseros 72,3%.
Somando isto tudo, dá uma média de 73,6%.
Ou seja, é quase 30% que se perde entre aquilo que o governo promete e aquilo que cumpre.
E há quem ache isto tudo normal, fazendo até comparações com a Madeira e com autarquias locais…
Não tarda nada, podem também comparar com certos países de África, que não ficaremos mal na fotografia!
Por outro lado, misturar execução do Orçamento com a do Plano, não convence ninguém. Se o Plano é apresentado à parte, também merece uma análise à parte. 
O Orçamento corrente tem uma execução de 90% e o investimento tem uma execução de 72%. 
Esta é que é a verdade e o que a execução do planeamento revela é muito simples: somos muito mauzinhos a planear ou então, mesmo sabendo que não vamos executar, enche-se o documento com muitos compromissos para calar as populações.
Ora, isto tem um nome. 
E não é muito honrado para quem anda na política…

COMO SE PREJUDICA O TRIÂNGULO - Se há sector público onde sabemos que os respectivos responsáveis não acertam uma, é os Transportes.

O Triângulo já tinha sido sacrificado este Verão com a teimosia em não fretar nenhum navio que substituísse o “Mestre Simão”.
Mas a Atlânticoline quis fazer ainda pior.
Decidiu agora ‘enviar’ o “Gilberto Mariano”, durante alguns dias, para a Terceira, com o argumento de transportar gente para as Sanjoaninas.
Ou seja, prejudica-se o Triângulo, prejudica-se o canal, prejudicam-se populações inteiras, para beneficiar uma festa.
A primeira viagem efectuou-se anteontem.
O “Gilberto Mariano” transportou para o porto de Pipas… 5 passageiros!
Leu bem. São mesmo cinco passageiros.
E assim vai a política de transportes na nossa região.

COMO SE PREJUDICA O PICO - Noutra vertente, agora sobre energia, há quem me jure que o Pico vai ser, mais uma vez, prejudicado num certo investimento que se está a preparar.

Ao que parece, vai ser lançado um novo cabo submarino, eléctrico/óptico, entre o Faial e o Pico.
A minha fonte garante que o Pico vai ficar com as sobras de energia e a parte óptica servirá para redundância de S. Caetano, que está em fim de vida, reforçando assim a justificação do novo cabo.
Um novo cabo, com estas características, custa quase tanto como uma central nova para o Pico.
Ou seja, há quem pense que isto será tentar viabilizar uma infraestrutura no Faial à custa do Pico, impedindo que se faça no Pico.
Diz-me o informador: “Tem sido assim no porto, no aeroporto, no hospital e na energia. Se isto for avante, nunca mais haverá investimento na produção desta no Pico. Pior: do ponto de vista técnico, um cabo para resistir naquele canal e respectivo ‘spare’, talvez custam tanto como uma central…”.
O recado está dado.

Junho 2018

Osvaldo Cabral 
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal, Milenio Stadium Toronto)
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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