QUEM?
Viva o Fernando Henrique Cardoso, que criou o ministério da Defesa do Brasil em 1999. Até então o superior hierárquico do comandante das forças armadas era o próprio comandante, com lugar nas reuniões ministeriais. Depois do Fernando Henrique, como nos estados modernos do mundo, o cargo passou a ser ocupado, obrigatoriamente, por um civil, com autoridade pelo menos teórica
sobre a tropa. Funcionou durante quase 20 anos porque não houve nenhuma crise militar de nota no período e a teoria nunca foi posta a prova. Seria interessante saber, por exemplo, como se comportariam as partes no caso de uma crise militar entre outubro de 2015 e maio de 2016, quando o ministro da Defesa era Aldo Rebelo, na época do PC do B. As forças armadas brasileiras subordinadas a um ministro comunista era surreal demais para contemplar, mesmo teoricamente.
Agora, um dia antes da nação acompanhar a votação no Supremo sobre o que fazer com o corpus do Lula, cantando “Rosa, ó Rosa, para onde vais morena Rosa?”, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas postou uma nota que se resumia num aviso, num “olhem lá o que vão fazer, hein?”, aos membros da corte. A nota do general, na véspera da votação, foi mais importante do que a votação. Marcou a volta da ameaça de intervenção militar à nossa prática politica, feita não por algum cabeça quente do “jovem oficialato” mas pelo militar mais graduado do país, com o explicito apoio de outros oficiais com comandos. Dizem que quando perguntaram ao general Villas Boas se não seria melhor mostrar sua nota ao ministro da Defesa antes de publicá-la, o general teria dito:
- Quem?
Pois é. Eu também não sei quem é o atual ministro da Defesa. Espero que ele se identifique.
O Mário Quintana dizia que não há nada como as guerras para se aprender geografia. Ficava- se sabendo o nome de lugares remotos, tornados celebres por alguma batalha. Nada como acompanhar debates jurídicos para apender a linguagem esotérica com que os juristas se comunicam. Imaginei que se poderia usar legendas em português para saber o que eles estão dizendo. Mas desconfio que, reduzidos a uma língua inteligível, os textos perderiam sua principal função, que é a de nos engambelar.

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