Obra de Carlos Drummond de
Andrade é lembrada e celebrada
Em homenagem aos 30 anos de morte do autor, seus escritos são
celebrados em diferentes pontos do país
VLVera
Lúcia Oliveira - Especial para o Correio
Nesses 30 anos da morte de
Carlos Drummond de Andrade, a vida e a obra do poeta itabirano, cada vez mais,
têm sido lembradas e divulgadas. As homenagens são muitas, de norte a sul do
país, em palestras, encontros, discussões e todo tipo de evento. Não poderia
ser diferente, pois, afinal, estamos falando do maior poeta do Brasil, do
gauche que se sentia estranho, sem pertencimento ao que quer que fosse, alheio
a prêmios, grupos e academias, e crítico do título de poeta oficial que sempre
quiseram lhe atribuir.
Como parte dessas homenagens,
temos a publicação de O poeta Carlos & outros Drummonds, de Edmílson
Caminha, (Brasília: Thesaurus, 2017), autor especialista na vida e obra do
poeta. Caminha nos oferece seus textos, artigos e depoimentos da família sobre
Drummond, fruto de longa convivência com o próprio poeta de quem se tornou
amigo graças a um doce de caju, que só uma tia cearense sabe fazer, isca
infalível que pescou o poeta pelo paladar e garantiu, com essa astúcia, que
Caminha desfrutasse (com trocadilho) de sua amizade.
Além dos depoimentos que o
poeta lhe deu, Caminha tem muito mais a dizer, pois foi amigo também do poeta
argentino Manolo, genro de Drummond, tradutor de muita qualidade da obra do
sogro, e grande sujeito. Mas a amizade persiste no contato com os três netos do
poeta, filhos da única filha, Maria Julieta, cronista admirável.
Os netos, herdeiros do nome e
da obra do avô, principalmente o caçula, Pedro Augusto, responsável pelo
espólio cultural, com discrição e simplicidade, têm o amigo Caminha como fiel
escudeiro do avô, Carlos.
E nesse trabalho incansável,
Caminha já palmilhou muita terra. Foi Sherlock Holmes atrás de parentes, ou
supostos parentes, na Inglaterra, Escócia, e vários outros lugares, buscando o
DNA do gauche, que nunca se impressionou por ser descendente de quem quer que
fosse, pois tinha os pés no chão de Itabira, a pequena cidade mineira que o viu
nascer. Aquela que virou apenas uma fotografia na parede. E que doía tanto!
Caminha, nesse livro, nos dá
farta informação que só um pesquisador apaixonado, sério e dedicado, incansável
mosqueteiro a serviço do rei, pode dar. É obra para deleite, pelas curiosidades
dos relatos, pela graça, bom humor e pelo tom intimista de quem participa da
vida da família; e, por sua documentação inédita, rica e preciosa, é obra para
pesquisadores que queiram fazer trabalho acadêmico.
Assim, neste ano da graça de
2017, ano das homenagens pelos trinta anos sem Drummond, Caminha nos conforta e
consola com histórias em que sua poesia se faz presente em nossos corações e
mentes, mostrando que o poeta triste, orgulhoso e de ferro está mais vivo do
que nunca!

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