Eles merecem o nosso reconhecimento
TIO ALFREDO O “ENDIREITA” (RIP) - O tio Alfredo, muito fez pela ilha Terceira. Quanta gente o procurou? Creio que quase todos os dias tinha um ou mais pacientes à sua porta. Era vulgarmente conhecido pelo "Endireita de Santa Bárbara". E quantos futebolistas passaram pela sua casa? Muitos. Ainda hoje gostaríamos de conhecer o número de jogadores de futebol que recorreram às fortes mãos do tio Alfredo.
Felizmente, no meu caso pessoal, nunca precisei de uma procura até ao tio Alfredo, mas, em 1974, quando fui colaborar com o departamento de futebol sénior do Lusitânia, desloquei-me a Santa Bárbara com um paciente, o guarda-redes Estrela que se havia lesionado num treino. O tio Alfredo recebeu-me amavelmente, começou a conversar como nada fosse e, de repente, só ouvi o grito do Estrela, com este comentário do tio Alfredo: pronto, já está no seu lugar. Agora é só repouso por uns dias e voltar às redes, mas sempre fui atalhando com uma pitada de ironia: e para levar algum frango!. O tio Alfredo riu que se fartou.
Tio Alfredo merecia uma estátua em Santa Bárbara.
GEORGINA COSTA (A “MELRA PRETA” (RIP) - Eu nasci em 1943, no histórico 13 de outubro (sexta e última aparição de Nossa senhora de Fátima aos Três Pastorinhos), e sempre ouvia falar em casa dos meus avós maternos da "Melra Preta". Sempre ficava intrigado (coisa de criança) quando comentavam algo sobre a "Melra Preta". Lembro-me perfeitamente que, numa bela tarde, no Adro Santo, dizia ao meu avô: olha ali a "Melra Preta". De fato, estava ali um pássaro preto e deduzi tratar-se da tão badalada "Melra Preta". Depois, com o decorrer do tempo, ano-após-ano, fui-me apercebendo de que a "Melra Preta" era uma senhora que cantava divinamente bem, que encantava com a sua voz. E, claro, já um pouco mais crescidinho, assisti a isto:
"Georgina Costa marcou presença no amadorismo teatral da nossa terra, actuando em grupos dramáticos da Fanfarra Operária e Recreio dos Artistas, tendo o autor destas linhas sido seu companheiro em tais lides, na saudosa Cerca da Recreio dos Artistas, nas revistas "De vento em Popa" e "Sabe-se Lá", da autoria do talentoso revisteiro Eduardo Melo".
E no tempo em que o Rádio Clube de Angra era a nossa referência musical, mormente através do Que Quer Ouvir, Georgina Costa estava sempre presente por via das solicitações do ouvintes. Tudo era feito através de uma carta dirigida à nossa querida estação emissora. E "olhos pretos" a canção com maior número de pedidos. E digo-vos que hoje pagava para ouvir Georgina Costa interpretar "olhos pretos". Talvez consiga satisfazer este meu desejo quando, também, chegar ao "outro lado da vida".
LUCIANO BARCELOS JORNALISTA-MODELO - Luciano Barcelos é, indiscutivelmente (pelo menos na minha ótica), um dos maiores vultos do jornalismo da RTP-AÇORES.
No Diário Insular de hoje fala sobre o futuro dos jornais impressos na região açoriana, aliás, uma opinião abalizada pelo que se conhece de Luciano Barcelos.
Vejamos a última questão que lhe foi colocada:
"O mundo digital pode ser o ovo de colombo para um modelo de informação que se torne de fato regional nos Açores ou esse objetivo, até hoje nunca alcançado, poderá continuar a não ser atingido mesmo nas plataformas online?
Pode. O ciberespaço desconhece barreiras geográficas. Ora, um dos grandes adversários dos órgãos de comunicação social nos Açores é a geografia. O bairrismo. O facto de ninguém em São Miguel comprar um jornal feito na Terceira e vice-versa.
Há dias, aconteceu-me uma experiência curiosa: no meu programa Acores.rtp.pt, na RTP/Açores, estava a entrevistar, via Skype, uma escritora que a produção me tinha dito estar em Ponta Delgada. A meio da conversa, percebi que ela estava na Horta. E o mais curioso é que ela passou o programa inteiro a achar que eu estava em São Miguel, quando o programa estava a ser feito em Angra do Heroísmo..."
********
Ora, também em meu entender, e de acordo com o que escrevi há muito tempo, o ciberespaço veio incomodar muita gente, isto no que concerne, sobretudo, à mídia escrita. Quantas páginas e sites se conhecem? Uma imensidão. E alguma vez teriam espaço na mídia impressa? Nem pensar. A não ser por compadrio ou se, efetivamente, o(s) interessado(s) tivesse ligações de amizades com os tais "lobbies" que proliferaram pela informação açoriana. Esses "lobbies" depararam com o enfraquecimento da sua postura. E quantas portas fecharam a pessoas que pretendiam fazer jornalismo? Felizmente, que agora todos dispõem do ciberespaço. Viva ele!

Sem comentários:
Enviar um comentário