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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Do jornalista João Rocha





Aprender por nossa conta

É claramente a nossa primeira ação de rompimento. A entrada na escola corta com o casulo familiar típico do percurso imberbe. Há cerca de 40 anos, na Escola Infante D. Henrique (que, até por uma questão de memória afetiva, desejo nunca ser encerrada), calhou a mim.

Deixado na sala de aula pela mão da minha mãe, aguentei-me firme, sem chorar, ao contrário de alguns colegas mais assustados.

A professora Mimi transmitiu-me confiança e, desde logo, dei conta da necessidade de (embora sem conhecer o termo) interagir com o resto da turma.
A socialização escolar depende de cada aluno, que está impossibilitado de recorrer à influência dos pais e irmãos para o sucesso da tarefa.

Estamos por conta e risco, mas andar na escola é uma aventura renovada diariamente.

O colega de carteira era ditame da ordem alfabética dos nomes, enquanto que a escolha de amigos, inseridos normalmente em grupinhos, já competia a cada qual.

Aprendemos números e letras, desenvolvemos equações e redações, num abecedário que começa por ajudar a desvendar o futuro das aptidões.

Levei uma bolacha na 1ª classe (a falta de queda para o desenho era danada para me fazer cair), beliscões no ano seguinte (nem os cadernos de duas linhas socorriam a feia e descoordenada caligrafia) e safei-me a bolos no que restou da instrução primária.

Guardo na memória as canetas de feltro, lápis de pau, aparadores, borrachas verdes (das grandes), mata-borrões e toques da campainha para começo, intervalo e encerramento das aulas, além da amizade e carinho e de alguns dos companheiros na rota da sempre necessária aprendizagem.

No pátio, na hora do recreio, era para brincar aos berlindes, pião e macaca. Assunto mais sério traduzia-se nas jogatanas de futebol, onde ganhar era imperativo de carácter, mesmo à conta de nódoas nas pernas infligidas por caceteiros de maior arcaboiço físico.

Cumprimos com as nossas obrigações sem internet, computadores, máquinas de calcular, telemóveis, smartphones, tablets e todas as outras geringonças eletrónicas/informáticas que fazem as delícias dos miúdos de hoje.
E sabem que mais? Ainda bem que foi assim…

                                                     
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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