Ao invés do que temos hoje nos escalões de formação, em tempos mais recuados (a
partir de 1958-59) apenas tínhamos um escalão, os denominados Principiantes de
onde surgiram bons valores, isto em relação às três equipas de Angra
(Lusitânia, Angrense e Marítimo) que, dentro das suas possibilidades, apoiaram
esta categoria, a única existente, juntando-se assim às ditas reservas (que
também tinham o seu campeonato) e às Categorias de Honra, como eram conhecidas.
No futebol surgem sempre predestinados, uns mais do que outros. Da referida
categoria de Principiantes, houve jogadores que, ao atingirem a idade prevista
nos regulamentos da FPF, deram o salto para a Categoria de Honra, maior
incidência no que diz respeito ao Marítimo, com Airosa, irmãos Coelho e tantos
outros dessa mesma geração.
No que concerne ao Angrense, que contou com um bom punhado de valores, mais
tarde fazendo parte da equipa principal, surgiu um jovem que, no intervalo dos
jogos da Categoria de Honra (era assim a denominação), passava, equipado a
rigor, para o entretenimento do público, exibindo-se em frente à bancada com o
“malabarismo parado”. De fato, esse personagem, de nome Carlos Nelson, tinha,
no sentido apontado (“malabarismo parado”), um exímio contato com a bola. Até
aqui era muito apreciado. Porém, quando integrado na equipa de Principiantes do
clube da Rua de São João, tornava-se num jogador vulgaríssimo, muito inferior a
outros jovens que faziam parte dessa mesma equipa.
Carlos Nelson foi, portanto, um género de “jogador-de-passa-tempo” no intervalo
dos jogos do Angrense no Campo de Jogos da Cidade. Daí não passou. E muita
gente acreditou que ele seria, no futuro, um jogador de contar para a equipa
principal. Pura utopia.

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