JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sábado, 15 de setembro de 2018

Do poeta-escritor-jornalista Luís Fernando Veríssimo



OUTRAS COPAS


O primeiro jogo de Copa do Mundo que assisti foi em Porto Alegre. Copa de 50, Iugoslávia x México. Fiquei atrás de uma das goleiras e me lembro de um atacante iugoslavo dando um soco na barriga do goleiro mexicano. O juiz não viu, ninguém viu, acho que só eu vi. O bandido continuou em campo e a Iugoslávia ganhou o jogo. Ou foi empate? Enfim, faz tempo. A Iugoslávia nem existe mais.

Meu jogo de Copa inesquecível foi aquele Brasil e França no México, em 1986. O que perdemos nos pênaltis. A seleção brasileira de 86 era remanescente da seleção de 82, a que não podia perder, na Espanha, e perdeu. Portanto uma seleção ferida. Em 82 jogadores como Falcão, Zico, Socrates, Junior, Eder ainda estavam em grande forma. 82 era para ter sido o ano deles. Não deu. Aquela foi uma geração sem apoteose, pelo menos em Copas do Mundo. Mas fizeram um grande jogo contra a França, em Guadalajara.
Falcão não jogou contra a França. Zico não começou, entrou no lugar do Muller. Lá estava o Careca, um dos melhores centroavantes que já vi jogar. O zagueiro Julio Cesar, que, sempre achei, merecia uma carreira melhor do que a que teve. Elzo e Alemão no meio, Josimar e Branco nas laterais. Socrates na frentel
Curiosidade: de todos os jogadores brasileiros no México em 86, só dois, Edinho e Junior, jogavam em times do exterior. O Falcão já tinha voltado, do Roma para o São Paulo. 86 foi antes da diáspora.
Os franceses tinham Giresse, Tigana e o grande Platini, mas quem acabou conosco foi o Hernandez. Fez o gol da vitória na série de penaltis que desempataram a partida, e em que o goleiro deles (Bats) defendeu o chute do Socrates, o Platini chutou para fora e o Julio Cesar chutou na trave. Ficou tudo com o pé do Hernandez.
Fui a todas as outras Copas depois da de 86. Só não fui a de 2014, no Brasil, que acompanhei da poltrona. Vi grande vitórias do Brasil. Mas inesquecível mesmo foi aquela derrota gloriosa em Guadalajara, há 32 anos. Era para redimirem o time de 82, e uma geração inteira. Mas o Hernandez não se apiedou de nós.





Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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