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domingo, 21 de outubro de 2018

Da minha janela espreitando o facebook


Fernando Fausto Cristovam  

Lembram de um estabelecimento comercial no ramo da fotografia no Alto das Covas de nome FOTO ARTE?

O seu proprietário Sr Isidro Ramalho Maria foi digamos um visionário para a época, respondendo a um desafio feito pelo Henrique Dédalo. Ora vejamos o porquê desta memória. 
Decorria a primeira metade dos anos 1970's e o jovem Henrique Dédalo com ambições em se tornar Locutor de Rádio viu uma oportunidade de treinar dicção e formatar voz etc aquelas coisas que os Locutores na época precisavam de ter para agarrar um espaço no Rádio Club de Angra. Fez a proposta/desafio ao Sr Isidro para durante a época de Natal daquele ano fazer ''Emissões de Radio'' circuito fechado ao estabelecimento e um pequeno altifalante na Rua a chamar atenção a quem passava. Dentro do estabelecimento porém o som era melhor, um pouco mais alto e seria feita publicidade e passada musica natalícia de modo a cativar a clientela à compra dos produtos de fotografia que a Loja vendia. Recordo que as maquinas fotográficas usavam os rolos por revelar, e as revelações eram pagas, bem como as fotos que daí se fizessem. Sim senhor, aceite a proposta, o Henrique viu-se confrontado com a parte de equipamento de som que não tinha. Como éramos amigos de vizinhança e ''brincadeiras'' em Santa Luzia Angra, perguntou-me se eu queria alinhar com ele naquela aventura. Falei ao meu Pai se tinha marcações de aluguer de som para a época, sim mas tinha vários equipamentos perguntei por determinado amplificador e altifalantes e tal, que não ia precisar, eu disse-lhe o que ia fazer, riu-se pensando que íamos fazer asneiradas. Tudo montado e testado, chegou ao dia e horas combinadas, lá estávamos eu e o Henrique para fazer as ''benditas emissões de radio em circuito fechado''. Foi assim a nossa primeira experiência em radio. A nossa primeira vez. Um sucesso incrível, o Sr Isidro encantado com a musica e os apelos ao consumo que o Henrique fazia quando víamos clientes a entrar, cumprimentava o Sr e Sra, os sejam bem-vindos à Foto Arte, e todos os escritos que o Henrique desenvolveu, cativou, encantou, chegávamos aver pequenos grupos de pessoas na esquina em frente a ouvir, os comentários dos clientes para com o Sr. Isidro e funcionários foram encorajadores, fizemos como diz Brasileiro, Show de Bola, eu na técnica e o Henrique na locução. Treinou tanto mas a sério mesmo, e não sei se pouco ou muito tempo depois, lá foi ele trabalhar para o Radio Club de Angra. Eu segui a vida que fazia de estudante na altura na Escola Industrial e em 1975 já trabalhando na FIAT fui embalado nas reuniões nocturnas para criarmos a Ratel Publicidade, inicialmente não prevíamos um tão grande crescimento, seria uma agência de criação de publicidade e pontualmente transmissões de ralis e o nosso forte seriam os relatos de futebol. Acho se não me falha a memória que o nosso primeiro trabalho publicitário terá sido feito pelo Victor Azevedo, o logotipo da Empresa Rocha e Mendes. Euro Pneus....acho eu que era esse o nome. Depois as ideias e o grupo crescendo, montaram-se os estúdios/escritorios no Chafariz Velho e o numero de horas compradas ao RCA foi aumentando, depois ficámos com o exclusivo de toda a Publicidade e foi a primeira reviravolta da pasmaceira que era a radio, n\ao por culpa dos bons locutores existentes mas era o tradicional e a]i n\ao se mexia. Fomos muito atrevidos, mexemos em todos os ninhos de vespas, mostramos agressividade e profissionalismo, a publicidade mudou quase que radicalmente nos seus formatos, lançámos muitos novos talentos, contratamos grandes locutores e relatadores de futebol, etc e veio o sismo de 1980, outra volta deu a radio, até porque o RCA ficou parcialmente destruido nas suas instalações e foi preciso muita coragem e entrega de todos para rapidamente se ouvir o RCA e a vida normalizar a nivel de radio. Outras histórias daí para a frente podem ser contadas, mas terminei minha ligação com a Ratel praticamente com o fim do concurso de Misses naquele grande evento levado a cabo num directo do Poço d'Areia com eleição da Misse e suas Damas. Depois disso saí da rádio e pouco tempo depois fui tirar meu curso de electromecânica e enveredei por outros caminhos. 
Regresso à radio, por via de um desafio de transmissão para a KLBS de Los Banos Califórnia, onde trabalhava o grande Alfredo Cunha. Já contei a cena dos foguetes de abertura das Sanjoaninas pela voz do amigo João Fernandes. 
Depois, a Radio caiu-me na sopa como sempre o afirmei. Decorria o ano de 1987. Veio de um telefonema a ideia de fazermos uma nova radio FM, e nasce a Radio Horizonte Açores. Outras histórias, para outra altura.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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