JOEL NETO
UMA DESDITA PESSOAL APESAR DE TUDO INSIGNIFICANTE.
Todos os meus amigos protestantes, tanto os do protestantismo bom como os do protestantismo mau, votam Ele Sim. Não farei juízos morais sobre isso, apesar da tentação. Mas não deixo de de me sentir muito triste perante a evidência de que, ao contrário do que sempre quis acreditar, o humanismo que me esforço por cultivar, e que creio que resistiu em mim mesmo quando me empenhei tão determinada e estupidamente em resistir-lhe, não vem afinal da minha formação protestante.
De repente, é como se tivesse estado mais certo na adolescência rebelde e contestatária do que na maturidade serena e conciliadora. Talvez deva mesmo ser assim. De qualquer modo, a lição que tiro desta eleição não é só sobre a fragilidade original da democracia face ao imperativo da segurança, a experiência da corrupção ou o impulso do ódio: é também sobre a verdade e a mentira no modo como, para nosso próprio apaziguamento, forjamos a memória da juventude.

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