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domingo, 14 de outubro de 2018

Do jornalista e redator principal do jornal Record RUI DIAS


Melhor do que nunca
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O jogo com a Espanha provou que Portugal está preparado para todas as contingências: pode ter ou não ter bola; entrar em campo com a esperança de criar assombro ou de respeitar adversários mais fortes; fazer do futebol uma festa ou, se tiver de ser, uma guerra. Da equipa de Fernando Santos podemos dizer que é uma equipa boa ou má; que diverte ou aborrece; que exalta a criatividade ou prefere não correr riscos. Mas nunca será uma equipa improvisada, na qual as coisas acontecem por acaso.

Na estreia, a Seleção Nacional revelou-se uma equipa receosa, altamente condicionada pela excelência do adversário e foi salva pela figura gigantesca de Cristiano Ronaldo. Os dois jogos seguintes são distintos, porque Marrocos e Irão exigem outro tipo de intervenção. A partir de agora terá de ser o coletivo a inspirar-se, assumir o jogo e a absorver o génio do capitão, não para salvá-la do abismo mas para, com ele integrado, procurar a excelência e a vitória. CR7 não pode estar outra vez sozinho na conceção de todos os desequilíbrios. É preciso que os outros, que passaram hora e meia com a Espanha a correr atrás da bola, a intercetar linhas de passe e a chocar com os adversários, concentrados apenas em não dar espaço, se atrevam a mostrar muito mais talento do que fizeram.

CR7 chega a este Mundial como nunca chegou a qualquer outra das sete grandes competições onde já marcou presença. Está fresco, disponível, ciente do papel que lhe cabe na equipa mas também no próprio palco; é o líder de Portugal mas está na Rússia à procura de vantagem no despique pelo trono de melhor do planeta.

Jorge Valdano disse que de cada vez que Messi se distrai, CR7 ganha uma "Bola de Ouro". No final de 2017/18, Cristiano vai na frente da corrida com algum conforto, prova de que o argentino se tem distraído muitas vezes: venceu a Champions e, no maior palco do futebol, fez hat trick com a Espanha, feito tremendo neste Mundo de mediatismo exacerbado. Se conseguir a 5ª coroação consecutiva, 6ª da carreira, CR7 livra-se da La Pulga e acomoda-se no ponto mais alto do patamar divino dos melhores de sempre. Na Rússia, CR7 joga pelo título mas também por essa glorificação pessoal inesperada; alimenta a fúria de vencer e zela pela condição que, aos 33 anos, lhe permite mostrar que só os fenómenos eternos conciliam génio e regularidade. É essa presença constante, a eterna busca pela perfeição e, agora, a faculdade de escolher os momentos mais relevantes para exercer, que o tornam um jogador único em toda a história do futebol. Que a lenda prossiga, hoje, com Marrocos.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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