O cavaleiro andante
Numa foto que visualizei, a preto e branco (o que havia no tempo e valha-nos isso), uma tourada na antiga Praça de São João do empresário Marcelo Pamplona. Era sempre casa cheia qualquer que fosse o cartaz. E aqui nos referimos aos nossos amadores que foram muitos – Carvalhais, Nicas na Velha, Tarrafeiros, e tantos outros que se dedicaram à festa brava -. Na foto, dos três cavaleiros em praça, quando se apresentavam para as respectivas cortesias ao diretor de corrida, uma figura a que me habituei a ver muitas vezes montado nos seus bonitos cavalos, visto que não andava montado sempre no mesmo. Tudo tem a sua apresentação. Se andarmos todos os dias com a mesma camisa as pessoas até comentam. E naquele tempo as críticas não eram poupadas. O cavaleiro em questão? Nem mais do que Virgílio Ávila, vulgarmente conhecido por “galocheiro”. Passeava bem montado pelas artérias citadinas, mas tinha preferência por se exibir pelo Corpo Santo, ao que dizem porque lá para os lados da Rua do Morrão tinha uma namorada (aqui no Brasil amante diz-se namorada). E também se dizia que ele adorava passar em frente à mercearia do Joaquim, que diziam ser casado com a dita namorada do cavaleiro andante. É caso para se dizer, uma mulher, um comerciante e um cavaleiro bem montado. Porém, há que fazer justiça aos bem tratados cavalos do Virgílio Ávila. Quando ele passava toda a gente parava para apreciar o cavalo e, claro, a forma como o cavaleiro conduzia o animal. E a rapaziada (eu incluído) seguia ao lado até praticamente ao início da Rua do Morrão. A partir daí para o Virgílio Ávila eram “contas de outro rosário”.

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